Uma das melhores músicas da melhor banda brasileira de rock de todos os tempos virou filme: Eduardo e Mônica. Pelo trailer tem muitas coisas legais que é demonstrado na música, mas será que vai emplacar? Para os Legionários, com certeza, mas e para o público em geral? Vamos aguardar e ver.
11 de outubro de 1996, a morte de Renato Russo choca e põe fim a maior banda de rock do Brasil de todos os tempos, a Legião Urbana. Mesmo não tendo alcançado muito sucesso fora do país, o importante foi o legado que Renato Russo e a banda deixaram. E quando lançou trabalhos solo Renato Russo não decepcionou, com grandes performances. Controverso, polêmico, mas acima de tudo um grande compositor. Lançou 8 discos de estúdio com a banda Legião Urbana e 3 em carreira solo, e todos com grande sucesso. Mesmo após 25 anos de sua morte, o legado continua vivo em belas canções que fizeram e fazem a história do rock brasileiro.
O primeiro álbum da banda, Legião Urbana, explode com os hinos “Será” e “Geração Coca Cola” mas é no petardo “Baader-Meinhof Blues” em que Renato canta: “Já estou cheio de me sentir vazio / Meu corpo é quente e estou sentindo frio / Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber / Afinal, amar ao próximo é tão démodé”. E cravou o nome no rock num ótimo álbum, com muitas letras agressivas e ao mesmo tempo belas.
O estrondoso sucesso do álbum DOIS, mostra que Renato e a banda continuam no pique e entregam o melhor álbum do ano, seguido de hits atrás de hits: “Tempo Perdido”, “Eduardo e Mônica”, “Índios” e “Quase sem Querer” foram exaustivamente tocadas nas rádios. Mas é em “Fábrica” o verso que mostra a banda ainda envolta nas questões sociais do país: “Nosso dia vai chegar / Teremos nossa vez / Não é pedir demais / Quero justiça / Quero trabalhar em paz / Não é muito o que lhe peço / Eu quero o trabalho honesto /Em vez de escravidão”.
Quando chega o terceiro álbum, Que País é Este?, já está estourado nas rádios. E até a improvável música de quase 10’ emplacou, “Faroeste Caboclo” virou hino e filme. “Depois do Começo”, “Eu Sei”, “Angra dos Reis” e “Mais do Mesmo” também emplacaram, mas “Que País é Este?” é ainda atual onde Renato detona: “Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação”.
As Quatro Estações vende quase 2 milhões de cópias e mostra a força da banda, todas as faixas foram tocadas e o maior sucesso foi “Pais e Filhos” uma grande balada e sua bissexualidade é exposta em “Meninos e “Meninas”. Mas foram em músicas como “1965 (Duas Tribos)”, “Sete Cidades”, “Monte Castelo” e “Há Tempos” que as letras ficam mais pesadas.
Com o album V, definitivamente as letras se tornam mais sombrias é o que pode-se notar em “A Ordem dos Templários” uma música instrumental e “A Montanha Mágica”. Mas as melhores são “Sereníssima”, “O Teatro dos Vampiros”, “O Mundo Anda Tão Complicado” e “Vento no Litoral” que emplacam nas rádios de todo o país. Em “Metal Contra as Nuvens” Renato canta: “Não sou escravo de ninguém / Ninguém, senhor do meu domínio / Sei o que devo defender”.
O Descobrimento do Brasil lançado em 1993 vende quase 1 milhão de cópias e traz uma porção de boas músicas: “Vinte e Nove”, “O Descobrimento do Brasil”, “Os Barcos”, “Os Anjos”, “Só Por Hoje”, “Vamos Fazer um Filme” e “Um Dia Perfeito”. Mas é em “Giz” que Renato demonstra a suavidade numa bela balada e “Perfeição” que mostra toda a indignação com o sistema: “Vamos celebrar a estupidez humana / A estupidez de todas as nações / O meu país e sua corja de assassinos / Covardes, estupradores e ladrões”. Em “Love in the Afternoon” o poeta já previa: “É tão estranho, os bons morrem jovens / Assim parece ser quando me lembro de você / Que acabou indo embora, cedo demais”.
O álbum A Tempestade é lançado já com Renato Russo debilitado e traz músicas pesadas, mas vende mais de 1,1 milhão de cópias. Traz uma parceria com Marisa Monte em “Soul Parsifal”. E outras como: “Natália”, “L’avventura”, “Leila” e “Música de Trabalho”. Mas são em músicas como “A Via Láctea” que Renato já expressa a sua dor: “Hoje a tristeza não é passageira / Hoje fiquei com febre a tarde inteira / E quando chegar a noite / Cada estrela parecerá uma lágrima”. Ou em “Dezesseis” que conta a trágica história de João Alberto e o coração despedaçado.
O último álbum da banda foi lançado em 1997, Uma Outra Estação, com sobras de vários álbuns. Músicas antigas como “Dado Viciado” e “Marcianos Invadem a Terra” foram lançadas, mas é nas depressivas “As Flores do Mal”, “Antes das Seis”, “Le Maison Dieu” e “Clarisse” que as letras ficam pesadas, ainda que algumas mantenham a crítica social.
Enquanto que os álbuns solos elevavam a sua performance interpretativa, cantou em inglês e italiano, de Leonard Cohen a Madonna, passando por Tanita Tikaram, Bob Dylan , Nick Drake e Laura Pausini.
Enfim, 25 anos anos de uma grande falta que ainda poderia continuar sendo a voz de uma geração, o sopro de uma revolução e a saudade de uma legião.
Filanos – Maral: a banda cearense lançou o melhor álbum de 2020 e foi uma bela descoberta. Vá direto em “Vai Saber”, “Fotos”, “Somos tão Fortes” e “O Vento”. Wry – Noites Infinitas: uma das bandas mais legais da cena indie do rock nacional trouxe músicas como “Tumulto Barulho e Confusão”, “Absoluta Incerteza” e “I Can Change”. Mahmundi – Mundo Novo: a banda é Marcela Vale e com uma voz ponderosa traz canções leves como “Sem Medo”, “Vai” e a pérola “Nova TV”. Vivendo do Ócio – Vivendo do Ócio: a banda é uma das melhores do novo BRock, crave em “Ce Pode” com refrão pegajoso, “O Amor Passa no Teste”, “O Agora” e “Muito”. Cícero – Cosmo: a delicadeza das músicas de Cícero embala este novo álbum em canções como: “Falso Azul”. Frejat – Ao Redor do Precipício: é um disco confortável do ex-Barão Vermelho e não espere muitas novidades, mas as boas letras estão em “Te Amei Ali” e “Cartas e Versos”. Balla e os Cristais – Jogo do Bicho: “Andam Dizendo” é um petardo e mostra o bom rock da banda carioca. “Fala, Quer Invadir” e releituras de “Comportamento Geral” de Gonzaguinha e “Zé do Caroço” de Leci Brandão. Vanessa Krongold – Singular: o pop rock da vocalista da banda Ludov contagia com melodias fáceis e pegajosas, já de cara “À Queima Roupa” mostra isso e que também pode ser ouvido em “Dois a Dois”, “Paciência” e a melhor “Concreto”. Ira! – Ira: nada mudou no Ira, é o mesmo rock de sempre e mostra que a banda está viva. Um dos dinossauros do rock brasileiro entrega em bom disco em faixas como: “O Amor Também faz Errar”, “Chuto Pedras e Assobio”, “O Homem Cordial Morreu” e “Efeito Dominó”. Fernanda Takai – Será Que Você Vai Acreditar: o pop com pitadas de mpb embala o novo álbum da Fernanda Takai (vocalista do Pato Fu), prova disso é “Não Esqueça”, a suavidade no cover de Michael Jackson “One Day in Your Life” e a divertida “Love Song”. Pedro Bala e os Holofotes – Pedro Bala e os Holofotes: até que enfim uma banda de rock que tem o que falar sem papas na língua. A banda mineira lançou um ótimo álbum, especial atenção para: “Não vá se Ferrar por Aí”, “Bongadance”, “Quebra Amar”e “Coisas”.
Enfim, algumas dicas que você deveria ter ouvido em 2020 e vai se surpreender. Vale a pena garimpar na web.
O meu primeiro clássico nacional é da banda que eu julgo ser a melhor de todos os tempos: LEGIÃO URBANA. É claro que muitos não concordam, mas o fato é que a Legião mudou o cenário do rock brasileiro: letras poderosas atraiam cada vez mais admiradores e músicas que pareciam não ter apelo radiofônico estouravam em todo o país. E criou-se uma religião em torno da banda e principalmente em Renato Russo. A triste morte de Renato acendeu mais ainda a devoção pela banda e que ainda tem muitos seguidores nos dias de hoje, muitas das músicas e letras são atuais, mesmo que escritas na década de 80. Quem nunca participou de uma festinha ou luau em praia que saca o violão e todos cantam “Pais e Filhos”, “Eduardo e Mônica”, “Faroeste Caboclo”, entre outras?
E é por isso que escrevo que é a melhor banda de rock nacional de todos os tempos e meu primeiro clássico é a música “Tempo Perdido”.
Lançada em 1986, no disco DOIS, traz uma reflexão sobre a passagem do tempo, rápido demais e que muitas vezes desperdiçamos este tempo com bobagens.
“Todos os dias quando acordo / Não tenho mais o tempo que passou / Mas tenho muito tempo: Temos todo o tempo do mundo.”
Não adianta chorar pelo que passou, somos capazes de controlar o nosso tempo e melhorar a cada dia.
A banda baiana Vivendo do Ócio, uma das melhores da safra do novo rock brasileiro, acaba de lançar o novo álbum com o nome da banda e o clipe da música “Cê Pode”, que foi lançado em 2019 puxa o lançamento depois de 5 anos sem gravações. Confere o som.
De cara já vai o recado e embalado em guitarras certeiras eles avisam: “Cê pode ser livre” e outro ponto “Quê adianta riqueza e pobreza de alma? / Adianta ter tudo e viver numa jaula? / Cê pode ser livre, seja o que quiser”.
Depois do bom lançamento do Barão Vermelho, enfim chegou o novo álbum do Humberto Gessinger: Não Vejo a Hora. E olhando o que foi lançado até agora, os melhores albuns nacionais do ano são de bandas e/ou artistas que detonaram nos anos 80: Barão Vermelho (VIVA), Nando Reis (Não sou Nenhum Roberto, Mas as Vezes Chego Perto) e Biquini Cavadão (Ilustre Guerreiro).Mas falando do álbum em questão: o eterno líder e voz dos Engenheiros do Havaii retorna numa ótima performance e com ecos da antiga banda. De cara basta ouvir a primeira faixa “Partiu”, que lembra Ïnfinita Highway”, ou seja, começa muito bem. “Um Dia da Cada Vez” é um pop/rock da melhor fase dos Engenheiros. A primeira balada folk acústica, com violões e acordeons é “Bem a Fim” e com o refrão bacana (A Highway to Hell faz a curva e vai pro céu / Quando a resposta vem, do outro lado, alguém / Dizendo que está tudo bem) coloca a música como uma das melhores do álbum. “Calmo em Estocolmo” é Engenheiros do Havaii até o talo. “Estranho Fetiche” tem a letra mais legal, com referência à Raul Seixas e é bem divertida. E “Missão” pra mim a melhor do álbum, começa lentamente e fica mais rápida e vai oscilando desta maneira até o final. Enfim, mais um grande lançamento de uma das melhores bandas brasileiras de rock dos anos 80. Para ver como o rock não morreu mas o atual cenário e bandas surgidas não tem o mesmo peso nem o mesmo valor.
O Barão Vermelho voltou e pode acreditar: rock, baladas e com muita energia, no novo álbum VIVA. A primeira fase da banda com Cazuza, foi inigualável: rock e baladas bem elaboradas e sucesso total. A segunda fase com Frejat no vocal, talvez não foi de tantos hits, mas o rock sempre esteve ali. Agora, uma das melhores bandas do rock brasileiro, retorna com Rodrigo Suricato nos vocais, rock e baladas com potenciais hits: “Jeito” cativa pela simplicidade (A Gente é o Que é Não Tem Jeito / A Gente é Como é, Cada um de um Jeito), “A Solidão Te Engole Vivo” rock sobre a amizade (Pois ao lado dos amigos / Eu escapo de qualquer perigo / E se você deixar / A solidão te engole vivo), “Por Onde Eu For” é pop rock na veia e com refrão pegajoso (Ando evitando lugares pra não ter que te encontrar / Outras avenidas e bares agora vão me ver cambalear / … / Então eu vou, esquecer de tudo que passou / Secar minha cara sobre o sol / Vou, viver tudo o que posso / Os amigos que eu gosto vou levar / Comigo em qualquer lugar, por onde eu for), a romântica “Castelos” e a baladaça “Um Dia Igual ao Outro”. O álbum acaba com “Pra Não Te Perder”, canção com levada folk aos violões e parcipação da cantora Letrux. É um dos melhores álbuns do rock brasileiro de 2019.
O eterno titã Paulo Miklos lançou o ótimo álbum A Gente Mora no Agora, ótimo porque gostei de nove das treze faixas, algo difícil de acontecer no atual cenário do rock nacional. Algumas músicas em que Miklos se aventura pelo samba, não me chamaram atenção, em compensação outras ele acertou a mão em cheio. “Deixa de Ser Alguém”, em parceria com Arnaldo Antunes, é estranha com seu ritmo carnavalesco mas anima qualquer um. “Todo Grande Amor” é uma parceira com Silva, com refrão fácil tem tudo pra se tornar um hit radiofônico. “Risco Azul”, com Céu e Pupillo, é marcado por piano e batidas em cima de uma letra bem construída. A balada pop composta por Guilherme Arantes, “Estou Pronto” é uma declaração de amor impecável e perfeita: “Estou vivo, estou pronto / Estou amando de novo / O meu destino é ser feliz / Começo cada dia a teu lado te amando mais”. “Afeto Manifesto” é um baião lento, composta por Lurdez da Luz e fica perfeita na voz de Miklos. Enquanto que “Princípio Ativo” balada com a cantora Céu é levada num dedilhado de violão, doce e singela. E o disco fecha com mais uma bela parceria com Tim Bernardes, “Eu Vou”: “Não vou mais aturar / Baixo astral na minha vida / Não vou mais carregar / O peso e a dor que não é minha”.
Mas ele se sai melhor no terreno que conhece bem e entrega as duas melhores faixas do álbum, pelo menos na minha opinião: em “Samba Bomba”, que não é samba, mas sim um baita rock em parceria com Tim Bernardes (guitarrista da banda O Terno) e na baladaça “Vou Te Encontrar”, em parceria com Nando Reis: “Nas ondas do mar / Nas pedras do rio / Nos raios de sol / Nas noites de frio / No céu no horizonte / No inverno e verão / Nas estrelas que formam uma constelação / Vou te Encontrar”.
É claro que o rock evolui, mas que bandas brasileiras de rock fazem grande sucesso? Não tem. Podemos citar boas bandas como: Maglore, Los Porongas, Vivendo do Ócio, O Teatro Mágico, O Terno, Boogarins, The Muddy Brothers, Vanguart, Far From Alaska, Scalene, Autoramas, Supercombo, Ego Kill Talent, e algumas outras, mas nenhuma, nenhuma mesmo, vai fazer o estardalhaço que grandes bandas do rock nacional fizeram nos anos 80, do Rio Grande do Sul à Bahia.
Mas o melhor é que as bandas dos anos 80 estão ressurgindo e sempre com ótimos álbuns, que é o caso deste “Sinais do Sim” da banda Paralamas do Sucesso. Simples, direto e cheio de hits. A música de abertura “Sinais do Sim”, já demonstra que o bom e velho Paralamas do Sucesso não perdeu a mão para compor: “Eu sei que teu coração é meu / Que algo em mim te convenceu / De que o melhor está por vir”. As baladas ainda continuam em alta e “Teu Olhar” explora bem isso, “Sempre Assim” temlevada reggae típica dos Paralamas, enquanto que “Contraste” já inicia com o barulho de guitarras, que chega a lembrar Santana. “Medo do Medo” era um rap português. Sim, era, pois virou um baita ska.
As duas melhores músicas do disco, pelo menos pra mim, são: “Corredor” rock básico e “Não Posso Mais”, com muito swinge e refrão pegajoso, hit radiofônico certeiro: “Eu não posso mais / Não posso mais / Não posso mais / Não posso mais viver / Sem você”. Sim, sou nostálgico. E por isso, este é um dos melhores lançamentos do rock nacional do ano (pelo menos, por enquanto).