25 anos sem Renato Russo

11 de outubro de 1996, a morte de Renato Russo choca e põe fim a maior banda de rock do Brasil de todos os tempos, a Legião Urbana. Mesmo não tendo alcançado muito sucesso fora do país, o importante foi o legado que Renato Russo e a banda deixaram. E quando lançou trabalhos solo Renato Russo não decepcionou, com grandes performances. Controverso, polêmico, mas acima de tudo um grande compositor. Lançou 8 discos de estúdio com a banda Legião Urbana e 3 em carreira solo, e todos com grande sucesso. Mesmo após 25 anos de sua morte, o legado continua vivo em belas canções que fizeram e fazem a história do rock brasileiro.

O primeiro álbum da banda, Legião Urbana, explode com os hinos “Será” e “Geração Coca Cola” mas é no petardo “Baader-Meinhof Blues” em que Renato canta: “Já estou cheio de me sentir vazio / Meu corpo é quente e estou sentindo frio / Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber / Afinal, amar ao próximo é tão démodé”. E cravou o nome no rock num ótimo álbum, com muitas letras agressivas e ao mesmo tempo belas.

O estrondoso sucesso do álbum DOIS, mostra que Renato e a banda continuam no pique e entregam o melhor álbum do ano, seguido de hits atrás de hits: “Tempo Perdido”, “Eduardo e Mônica”, “Índios” e “Quase sem Querer” foram exaustivamente tocadas nas rádios. Mas é em “Fábrica” o verso que mostra a banda ainda envolta nas questões sociais do país: “Nosso dia vai chegar / Teremos nossa vez / Não é pedir demais / Quero justiça / Quero trabalhar em paz / Não é muito o que lhe peço / Eu quero o trabalho honesto /Em vez de escravidão”.

Quando chega o terceiro álbum, Que País é Este?, já está estourado nas rádios. E até a improvável música de quase 10’ emplacou, “Faroeste Caboclo” virou hino e filme. “Depois do Começo”, “Eu Sei”, “Angra dos Reis” e “Mais do Mesmo” também emplacaram, mas “Que País é Este?” é ainda atual onde Renato detona: “Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação”.

As Quatro Estações vende quase 2 milhões de cópias e mostra a força da banda, todas as faixas foram tocadas e o maior sucesso foi “Pais e Filhos” uma grande balada e sua bissexualidade é exposta em “Meninos e “Meninas”. Mas foram em músicas como “1965 (Duas Tribos)”, “Sete Cidades”, “Monte Castelo” e “Há Tempos” que as letras ficam mais pesadas.

Com o album V, definitivamente as letras se tornam mais sombrias é o que pode-se notar em “A Ordem dos Templários” uma música instrumental e “A Montanha Mágica”. Mas as melhores são “Sereníssima”, “O Teatro dos Vampiros”, “O Mundo Anda Tão Complicado” e “Vento no Litoral” que emplacam nas rádios de todo o país. Em “Metal Contra as Nuvens” Renato canta: “Não sou escravo de ninguém / Ninguém, senhor do meu domínio / Sei o que devo defender”.

O Descobrimento do Brasil lançado em 1993 vende quase 1 milhão de cópias e traz uma porção de boas músicas: “Vinte e Nove”, “O Descobrimento do Brasil”, “Os Barcos”, “Os Anjos”, “Só Por Hoje”, “Vamos Fazer um Filme” e “Um Dia Perfeito”. Mas é em “Giz” que Renato demonstra a suavidade numa bela balada e “Perfeição” que mostra toda a indignação com o sistema: “Vamos celebrar a estupidez humana / A estupidez de todas as nações / O meu país e sua corja de assassinos / Covardes, estupradores e ladrões”. Em “Love in the Afternoon” o poeta já previa: “É tão estranho, os bons morrem jovens / Assim parece ser quando me lembro de você / Que acabou indo embora, cedo demais”.

O álbum A Tempestade é lançado já com Renato Russo debilitado e traz músicas pesadas, mas vende mais de 1,1 milhão de cópias. Traz uma parceria com Marisa Monte em “Soul Parsifal”. E outras como: “Natália”, “L’avventura”, “Leila” e “Música de Trabalho”. Mas são em músicas como “A Via Láctea” que Renato já expressa a sua dor: “Hoje a tristeza não é passageira / Hoje fiquei com febre a tarde inteira / E quando chegar a noite / Cada estrela parecerá uma lágrima”. Ou em “Dezesseis” que conta a trágica história de João Alberto e o coração despedaçado.

O último álbum da banda foi lançado em 1997, Uma Outra Estação, com sobras de vários álbuns. Músicas antigas como “Dado Viciado” e “Marcianos Invadem a Terra” foram lançadas, mas é nas depressivas “As Flores do Mal”, “Antes das Seis”, “Le Maison Dieu” e “Clarisse” que as letras ficam pesadas, ainda que algumas mantenham a crítica social.

Enquanto que os álbuns solos elevavam a sua performance interpretativa, cantou em inglês e italiano, de Leonard Cohen a Madonna, passando por Tanita Tikaram, Bob Dylan , Nick Drake e Laura Pausini.

Enfim, 25 anos anos de uma grande falta que ainda poderia continuar sendo a voz de uma geração, o sopro de uma revolução e a saudade de uma legião.

Sobre Severo

GREMISTA FANÁTICO... com preferências simples e/ou complicadas: comidas, músicas, filmes, viagens, escrever sobre curiosidades do dia-a-dia...
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