1cd: Paralamas do Sucesso – Sinais do Sim

É claro que o rock evolui, mas que bandas brasileiras de rock fazem grande sucesso? Não Paralamas-Do-Sucesso. - Sinais do SImtem. Podemos citar boas bandas como: Maglore, Los Porongas, Vivendo do Ócio, O Teatro Mágico, O Terno, Boogarins, The Muddy Brothers, Vanguart, Far From Alaska, Scalene, Autoramas, Supercombo, Ego Kill Talent, e algumas outras, mas nenhuma, nenhuma mesmo, vai fazer o estardalhaço que grandes bandas do rock nacional fizeram nos anos 80, do Rio Grande do Sul à Bahia.

Mas o melhor é que as bandas dos anos 80 estão ressurgindo e sempre com ótimos álbuns, que é o caso deste “Sinais do Sim” da banda Paralamas do Sucesso. Simples, direto e cheio de hits. A Paralamas-Do-Sucessomúsica de abertura “Sinais do Sim”, já demonstra que o bom e velho Paralamas do Sucesso não perdeu a mão para compor: “Eu sei que teu coração é meu / Que algo em mim te convenceu / De que o melhor está por vir”.
As baladas ainda continuam em alta e “Teu Olhar” explora bem isso, “Sempre Assim” tem levada reggae típica dos Paralamas, enquanto que “Contraste” já inicia com o barulho de guitarras, que chega a lembrar Santana. “Medo do Medo” era um rap português. Sim, era, pois virou um baita ska.

As duas melhores músicas do disco, pelo menos pra mim, são: “Corredor” rock básico e “Não Posso Mais”, com muito swinge e refrão pegajoso, hit radiofônico certeiro: “Eu não posso mais / Não posso mais / Não posso mais / Não posso mais viver / Sem você”.
Sim, sou nostálgico. E por isso, este é um dos melhores lançamentos do rock nacional do ano (pelo menos, por enquanto).

Política: já cantaram essa história…

É incrível que ainda ouço pessoas surpresas com tudo o que está acontecendo na política brasileira, mas essa história já foi cantada só que muita gente não lembra ou não quer lembrar, pois pensam que o rock não presta, que é música do diabo e de drogados. Mas qual o estilo de música que consegue mostrar tantas desigualdades sociais em poucos acordes e, mesmo após 30 anos, ainda se manter atual à nossa realidade? São duas músicas das duas das melhores bandas do rock nacional: Legião Urbana e Titãs.

Trinta anos atrás, em 1987, a Legião Urbana lançava o álbum Que País é Esse? recheado de rebeldia e petardos como: “Angra dos Reis”, “Eu Sei”, “Mais do Mesmo, “Depois do Começo”, a épica e quilométrica “Faroeste Caboclo” e a atualíssima “Que País é esse?. Letra de altíssimo cunho político, detona grande parte dos nossos governantes, compara a sujeira nas diversas esferas da nossa sociedade e mostra o desrespeito com a  constituição brasileira, onde claramente os políticos querem levar vantagem.
A abertura do álbum mostra que a Legião não está para brincadeiras e surge o primeiro hino que é cantado ainda nos dias de hoje: “Nas favelas, no Senado Sujeira pra todo lado /Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação / Que País é esse?” (e nós ainda continuamos a acreditar).

Em 2005, doze anos atrás, a banda Titãs lançou o álbum ao vivo MTV, e ao meio de grandes sucessos como: “AA UU”, “Polícia”, “Enquanto Houver Sol”, “Bichos Escrotos”, “Homem Primata”, Epitáfio”, “Flores” e “Diversão”, a música “Vossa Excelência” chama a atenção pela clareza e tiro certeiro nos nossos políticos. Mais forte e direta que a música da Legião Urbana, o Titãs dispara diretamente aos Ministros, Magistrados, Deputados, Senadores, Vereadores sem papas na língua, fala o que muita gente gostaria de dizer cara a cara: “Estão nas mangas dos Senhores Ministros / Nas capas dos Senhores Magistrados / Nas golas dos Senhores Deputados / Nos fundilhos dos Senhores Vereadores / Nas perucas dos Senhores Senadores / Senhores! Senhores! Senhores! /Minha Senhora! /Senhores! Senhores!/ Filha da Puta! Bandido! Corrupto! Ladrão!”

Por mais que muitos não gostem do estilo de música, mas a roubalheira dos nossos políticos já eram cantadas no rock brasileiro à trinta anos atrás. A indignação do povo contra a corja política brasileira sempre foi demonstrada nas músicas da Legião Urbana e dos Titãs (ou você acha que a música “Polícia” também não é uma premonição dos dias mais violentos e degradantes?). Alguns podem pensar que estas não são as melhores músicas que expressam a nossa insatisfação com tudo o que está acontecendo atualmente, mas com certeza são petardos para fazer todos pensar.
Vai ter alguma grande mudança? Difícil imaginar, quando temos um bando de políticos que não tem vergonha na cara e leitores coniventes com a situação e vendendo voto em cada eleição.

L.A.Severo

euOVO: Radiohead – A Moon Shaped Pool

O Radiohead, é uma das bandas mais inovadoras do rock mundial e voltou detonando num album menos eletrônico mas com a mesma pegada do inicio da carreira. A Moon Shaped Pool é, por enquanto um dos melhores lançamentos do ano, para quem gosta de rock e da radioheadbanda. Thom York não é bem certo, isso é fato (alem de não saber dançar nada), mas aqui ele decide extravasar todo seu lado interior, escrevendo e cantando sobre questões mais individuais. “Burn The Witch” abre o disco com letra bem sacada, mas melhor mesmo é o clipe. Em “Decks Dark” provoca: “Somos incapazes de resistir / Em sua hora mais escura”. Já as calmas “Desert Island Disk” e “The Numbers” levam o rock ao perceptível encontro com o folk, mas com leveza brutal. “True Love Waits” já é clássica mesmo que sempre quando executada foi ao vivo (pois foi gravado no disco ao vivo de 2001 – I Might Be Wrong: Live Recordings): “Eu não estou vivendo / Estou apenas matando o tempo… E o verdadeiro amor espera / Em sótãos assombrados / E o verdadeiro amor vive / Em pirulitos e batatinhas”. Letra boba? Pode até ser, mas na execução do Radiohead e levada ao piano é poderosa.
Por isso o Radiohead é uma das melhores bandas de rock do mundo: um album simples, tenso e profundo, sem melindres e direto; ou seja: o melhor do Radiohead está aqui.