livroDaQuinzena: “Bodas de Sangue” de Pierre Lemaitre

Assustador e perturbador, por vezes insano, este livro é surpreendente. Eu não imaginava que já nas primeiras páginas leria uma descrição tão precisa do que uma babá poderia fazer. Conforme a leitura avança, a tensão psicológica toma conta e todos os caminhos levam a um determinado desfecho, e que parece muito óbvio, mas as reviravoltas começam a acontecer e o que parecia resolvido fica cada vez melhor.

A trama mostra insegurança e loucura da personagem Sophie, que não lembra de como as situações aconteceram, mas em todas ela é a culpada: nada faz sentido e Sophie começa a perder sua lucidez a cada dia, esquecendo coisas básicas e vendo sua rotina desmoronar. Fugir ou se esconder é uma possibilidade? Ela está sendo assediada? Alguém está tentando se vingar dela? Como ela consegue responder todas as questões se nem lembra o que comeu no café da manhã… nem se tomou café?

O final foi um dos mais belos que li nos últimos anos: imprevisível e certeiro, que faz jus a trama psicológica e empolgante.

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livroDaQuinzena: “O Jardim das Borboletas” de Dot Hutchison

Tenso e Perturbador

O meu último livro lido no ano, no total de 26, é o tenso e perturbador “O Jardim das Borboletas” de Dot Hutchison.

Dot Hutchison conseguiu construir ótimos personagens, desde Maya até a esposa doente do Jardineiro, passando por seus filhos com personalidades totalmente diferentes e também os agentes do FBI Victor e Eddison, com objetivos comuns mas histórias diferentes. Difícil mesmo é conseguir entender o Jardineiro: bem sucedido, em alguns momentos insano em outros amoroso, mas sem piedade nenhuma e fica parecendo que o maior prazer é a dor. Um homem sádico que mantém em cativeiro de meninas (as borboletas) por anos apenas para satisfazer o seu prazer, como e quando quiser.
O suspense cresce a cada página e o final é um dos melhores que eu li este ano. A narrativa, contada por Maya, tem muitas cenas bem pesadas. É estranho imaginar as coisas que ela é as demais garotas foram submetidas, mesmo sabendo que no nosso mundo atual tudo é possível. Não é permitido mas é possível.

E essa situação, absurdamente perturbadora, é tratada intensamente neste livro.

Mas além de tudo, a escrita de Dot é fascinante e arrebatadora que proporciona o leitor vislumbrar e imaginar as cenas detalhadamente. Acredito que isso foi o ponto principal que me fascinou no livro, pois a leitura foi tão surpreendente que fluiu rapidamente e devorei o livro de 300 páginas em apenas quatro dias.

Mas esta é a minha percepção e você não deve ficar ansioso em ler o livro da mesma maneira, porque vários pontos contados por Maya são esclarecidos sem pressa. Isso pode deixar alguns leitores inquietos, mas a verdade é que mesmo lento o livro é gostoso de ler e prende o leitor.
Se prepare pois após este livro, a equipe do FBI também estará em mais dois volumes: “Rosas de Maio” e “The Summer Children” (ainda sem tradução em português) e que faz parte da trilogia O Colecionador.

9… então para deixar bem claro: O Jardim das Borboletas é chocante e ótimo ao mesmo tempo. 

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livroDaQuinzena: “O Menino do Bosque” de Harlan Coben

Quando eu li o título deste livro eu imaginei que seria mais ou menos no mesmo enredo de Um Lugar Bem Longe Daqui de Délia Owens, mas me enganei. O livro é extremamente delicioso de ler e Harlan Coben, O Mestre das Noites em Claro, sabe como entreter o leitor, amarra bem a trama e mostra diversos caminhos na evolução da historia.

Quando eu li o título deste livro eu imaginei que seria mais ou menos no mesmo enredo de Um Lugar Bem Longe Daqui de Délia Owens, mas me enganei. O livro é extremamente delicioso de ler e Harlan Coben, O Mestre das Noites em Claro, sabe como entreter o leitor, amarra bem a trama e mostra diversos caminhos na evolução da historia. 

O desaparecimento da jovem Naomi Pine parece a ponta do iceberg, mas se engana quem pensa que esse será o enredo principal, também não é a história do “menino do bosque” e nem o drama familiar de Hester mas sim, a partir da metade do livro, o sequestro do menino Crash da milionária família Maynard e que torna a trama envolvente. Melhora mais ainda quando entra em cena a ótima advogada Hester Crimstein que, para mim, é a melhor personagem do livro, e tem um papel importante na trama: advogada implacável, uma senhora de 70 anos, viúva, amorosa, sarcástica, corajosa e sincera. Além disso, Hester tem um drama familiar do passado mal resolvido (que tem desfecho nos capítulos finais), um relacionamento com o delegado da pequena cidade e ainda advoga para os pais do menino desaparecido a tornando fascinante. Wilde, o tal menino do bosque, não é um menino mas um homem que ajuda Hester na investigação, é um personagem complexo e cheio de dúvidas sobre o seu passado. A inteligência e vivência de Wilde é que dá visão aos muitos caminhos e desfechos das situações. Pesando os prós e contras ele toma as melhores decisões, mesmo não agradando à todos, principalmente a Hester.

10… a união de Hester e Wilde é que tornam este livro uma leitura prazerosa e obrigatória, em acontecimentos que abrangem bullying, abuso e justiça num excelente final. Além de que Harlan Coben tem uma escrita fácil e empolgante, se você ainda não leu nada dele, se prepare: o cara já vendeu mais de 75 milhões de exemplares no mundo.

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livroDaQuinzena: “Um Lugar Bem Longe Daqui” de Delia Owens

SINOPSE: por anos, boatos sobre Kya Clark, a “Menina do Brejo”, assombraram Barkley Cove, uma calma cidade costeira da Carolina do Norte. Ela, no entanto, não é o que todos dizem. Sensata e inteligente, Kya sobreviveu por anos sozinha no pântano que chama de lar, tendo as gaivotas como amigas e a areia como professora. Abandonada pela mãe, que não conseguiu suportar o marido abusivo e alcoólatra, e depois pelos irmãos, a menina viveu algum tempo na companhia negligente e por vezes brutal do pai, que acabou também por deixá-la. Anos depois, quando dois jovens da cidade ficam intrigados com sua beleza selvagem, Kya se permite experimentar uma nova vida — até que o impensável acontece e um deles é encontrado morto.

Eu comprei este livro em um aeroporto e digo que só comprei porque esqueci de colocar na mochila algum para ler na viagem. O que me chamou a atenção foram as muitas críticas positivas quando procurei na internet e também pela história da autora.

Mas vamos lá, quanto ao livro: é uma história bem interessante e fascinante de superação, nesta época de pandemia quando ficamos sozinhos e sem ter com quem conversar o livro pode ser um divisor de águas. É claro que a ficção nos proporciona ter devaneios, mas muitos fogem desta realidade, não enfrentam as questões do dia a dia como deveriam. A escrita, além dos detalhes, é tensa e muito bem contada isso leva o leitor a diversos caminhos tentando descobrir o que realmente aconteceu. As surpresas estão em qualquer habitante da cidade, como também nos 3 principais personagens. Eu achei a abordagem da narrativa desde a violência doméstica, passando pelo abandono, a descoberta da puberdade e a ajuda de pessoas pouco conhecidas extremamente eficiente e legal. O desenrolar do crime e às intenções que permeiam os personagens também se mostra eficiente e acaba com um desfecho, talvez para alguns, não tanto surpreendente mas conveniente.

9… gostei muito e prendeu a minha atenção.

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livroDaQuinzena: A Última Festa de Lucy Foley

Sinopse: Nove amigos decidem celebrar o réveillon em um casarão isolado da Escócia. É uma tradição que adquiriram após se conhecerem na época da faculdade e que, anos depois, se mantém firme. Pouco tempo após a chegada, uma nevasca atinge o terreno e impossibilita a entrada ou a saída de qualquer um. Quando um corpo é encontrado na neve após a festa de fim de ano, o grupo precisa encarar uma realidade assustadora: o assassino está entre eles.

9… é bem legal o livro de estreia da escritora inglesa que já foi até comparada a Agatha Christie, um tanto quanto exagerado isso, mas enfim cada um com sua opinião. Não posso negar que achei o livro ótimo e o clima de suspense faz com que a narrativa prende o leitor e faz querer chegar logo no final.

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#estanteViva: Menina Boa Menina Má de Ali Land

Os corações das crianças pequenas são órgãos delicados. Um começo cruel neste mundo pode mudar para sempre o seu destino. Nome novo. Família nova. Eu. Nova. Em folha. A mãe de Annie é uma assassina em série. Um dia, Annie a denuncia para a polícia e ela é presa. Mas longe dos olhos não é longe da cabeça. Os segredos de seu passado não a deixam dormir, mesmo Annie fazendo parte agora de uma nova família e atendendo por um novo nome – Milly. Enquanto um grupo de especialistas prepara Milly para enfrentar a mãe no tribunal, ela precisa confrontar seu passado. E recomeçar. Com certeza, a partir de agora vai poder ser quem quiser… Mas a mãe de Milly é uma assassina em série. E quem sai aos seus não degenera.

Que fique bem claro: o livro é “sombrio, tenso e envolvente”. Desde a primeira página, você vai prender a respiração durante a leitura e não desgrudará até o final. É claro que isso para quem gosta de uma boa e desenvolvida história. A personagem principal que nasceu Annie e depois se transformou em Milly relata bem os casos, não com extrema violência mas de uma forma simples e dolorosa, psicologicamente é forte. Sabemos que muitos dos atos abusivos são reais, em qualquer lugar do mundo e o livro escancara isso.

É desconfortável, bruto e necessário. Um belo livro de uma escritora que eu não conhecia e só comprei este livro porque estava num aeroporto e não tinha nada para ler. Grata supresa: TOP D+.

29/10 – Dia Nacional do Livro

Eu falar de leitura ou de livros cansa… mas eu não paro, não desisto: compro, leio e me apego, não gosto de emprestar, porque é meu. Tem que estar na minha estante.

Este ano eu tinha colocado como meta ler pelo menos 26 livros, 1 livro a cada 15 dias. É algo fácil de se fazer, apenas tem que ter disciplina para cumprir prazos e horários. Mas é claro que na correria do dia a dia e novos acontecimentos podem desviar a atenção e a meta não ser atingida. Não é apenas ler, é viajar. Estou no meu 18 livro e não sei se conseguirei cumprir a meta estabelecida, também não quero ler um livro “fininho”, com poucas páginas, apenas para dizer que cumpri a meta.

O livro é o meu troféu.

O livro me emociona, sinto medo, dou risadas, viajo sem sair do meu sofá ou da minha cama ou do meu banco no ônibus. Como é fácil descobrir esse mundo fascinante.

Enfim, o sabor de ler um bom livro está na sutileza de saborear uma boa leitura, com calma e paciência.

#estanteViva: #2 – O Estranho Mundo de Jack de Tim Burton

#2

O Estranho Mundo de Jack apresenta a clássica e fantástica história criada pelo cineasta Tim Burton que narra as desventuras de Jack Esqueleto, o mestre do Halloween que um dia, entediado em sua Terra das Bruxas e cansado da rotina de sustos e assombrações, depara-se com três grandes portas talhadas em árvores numa floresta. Ao abrir uma delas, cai na Cidade do Natal, onde Papai Noel vive e constrói seus presentes. Deslumbrado, Jack coleta alguns objetos natalinos para provar aos habitantes de seu estranho mundo que ali estivera. De volta a sua mórbida cidade, o esquelético protagonista tem uma ideia um tanto mirabolante: sequestrar o bom velhinho e tomar o seu lugar na entrega dos presentes de Natal. O resultado da empreitada é que, em vez de deixar as crianças alegres, deixa-as, mais uma vez, apavoradas. Até que uma surpresa natalina muda o rumo da história.

Sempre gostei de gibis, mas este livro ilustrado foi o primeiro que li neste formato e, claro, depois muitos outros. Aqui a minha fascinação por Tim Burton cresceu mais ainda, com elementos fantasiosos e sombrios mostra porque o diretor e escritor é um dos melhores do mundo. Bons desenhos e estória legal, fácil de ler e entender. Apesar de eu achar que ele é meio pirado. Ideias loucas de uma mente brilhante? Não sei, mas vale a pena a leitura. 👏

15/10 – Dia do Professor

Eu não tenho vontade de ficar em uma sala de aula novamente, mas sinto saudades de alguns professores, principalmente a de português, Carmem Marasca, que abriu meus olhos para a leitura e meus gosto pelos livros. E como dizia Cora Coralina: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.

#estanteViva: Stalker de Tarryn Fisher

#1

Ela quer a sua vida. Quando Fig Coxbury compra uma casa na West Barrett Street, sua maior motivação não é o amor pelo bairro, ou ter se apaixonado pelo imóvel. É para ficar mais próxima de tudo o que ela deseja: o marido, a criança e a vida que pertence a outra pessoa. Com os olhos fixos na família Avery, Fig se insere gradualmente na rotina de Jolene, Darius e sua filha, Mercy.

É um bom livro e bem escrito, com uma trama perturbadora que incomoda. Ter um mulher como stalker não é novidade, nem em livros ou filmes, mas a protagonista Fig parece ser diferente: além de copiar a privacidade familiar, ela cobiça e manipula todos ao seu redor. Nada deve ficar no seu caminho, porque realmente ela é muito criativa, quando incorpora o personagem perseguidor. É o primeiro livro que li da escritora sul africana, nascida em Joanesburgo e que vive atualmente em Seattle, Washington e é uma bela surpresa. 8