1dica: 🎬 série “Custe o que Custar”, quando fugir é apenas o começo do pesadelo 

Título Original: “Run Away”
Elenco principal: James Nesbitt, Minnie Driver, Lucian Msamati, Alfred Enoch, Ruth Jones e Annette Badland
Diretor(a): Nimer Rashed e Isher Sahota
Streaming: NETFLIX
Episódios: 8
⭐️⭐️⭐️⭐️
SINOPSE: a vida perfeita de Simon (James Nesbitt) é destruída quando a filha Paige (Ellie de Lange) foge, mais tarde encontrada abandonada em um parque. A busca de Simon leva a um submundo perigoso, onde um ato de violência abala sua vida.

A pergunta que move “Custe o que Custar”, série dirigida por Nimer Rashed, é simples e brutal: até onde você iria para salvar alguém que decidiu fugir de você? A série mergulha em temas recorrentes que o autor escreve em seus livros — segredos familiares, identidades ocultas e decisões irreversíveis — agora filtrados por uma abordagem mais emocional e intimista. Sem recorrer a reviravoltas simples, a série constrói sua tensão a partir da dor, da culpa e da obsessão. O suspense aqui não está apenas no que vai acontecer, mas no impacto emocional de cada descoberta. É uma história sobre amor incondicional, mas também sobre os limites desse amor quando a verdade começa a machucar.

“Custe o que Custar” acompanha um pai cuja vida aparentemente estável desmorona quando sua filha desaparece sem deixar explicações. A busca desesperada por respostas o leva a um submundo que ele jamais imaginou existir, um território onde mentiras são moeda corrente e ninguém é exatamente quem diz ser. À medida que a investigação avança, a série se transforma em algo maior do que um simples thriller policial. O foco se desloca para as consequências emocionais da busca, revelando um protagonista que precisa confrontar não apenas criminosos e conspirações, mas suas próprias falhas como pai, marido e indivíduo.

O grande trunfo da série está nas atuações contidas e profundamente humanas: James Nesbitt, Simon Greene, entrega uma performance marcada por vulnerabilidade e obsessão, transmitindo com precisão o desgaste psicológico de quem se recusa a desistir. Alfred Enoch, o detetive Isaac Fagbenle, é extremamente arrogante, mas se transforma com o desenrolar da série. Enquanto Dee Dee (Maeve Courtier-Lilley) e Ash (Jon Pointing) são dois assassinos psicopatas e entregam boas cenas. O grande destaque fica por conta de Ruth Jones, que interpreta a detetive particular Elena Ravenscroft com maestria.

É uma série que fala menos sobre fugir e mais sobre o que nos persegue quando tentamos escapar da verdade. Não é uma produção para quem busca ação constante ou reviravoltas a cada cena, em vez disso, oferece um suspense denso, envolvente e consistente, evitando soluções fáceis e optando por um encerramento coerente, com uma boa surpresa no final.

1dica: 🎬 série “Pequenos Desastres”, o que acontece quando a mãe perfeita não é tão perfeita assim? 

Título Original: “Little Disasters”
Elenco principal: Diane Kruger, Jo Joyner, Shelley Conn, JJ Feild, Emily Taaffe, Patrick Baladi
Diretor(a): Ruth Fowler
Streaming: Prime Vídeo
Episódios: 6
⭐️⭐️⭐️
SINOPSE: um grupo de novas amigas mães é desfeito quando uma delas é acusada de ferir seu bebê, rompendo seus laços e quase destruindo suas famílias.

Quatro mulheres se conheceram numa aula de preparação para o parto há uma década. Desde então, compartilham a jornada da maternidade, cada uma a seu modo: Jess (Diane Kruger) é a mãe de três filhos que parece ter nascida para a função — organizada, carinhosa, irretocável; Liz (Jo Joyner) é pediatra de pronto-socorro que equilibra uma carreira exigente com a vida doméstica; Mel (Shelley Conn) guarda seus próprios segredos por trás de uma imagem pública invejável; e Charlotte (Emily Taaffe) luta para manter a fachada de família feliz enquanto sua vida particular desmorona.

Tudo muda quando Jess aparece no hospital em plena madrugada com sua filha caçula, Betsy, de dez meses, apresentando uma lesão que simplesmente não se encaixa na explicação oferecida. Liz, como médica, é obrigada a acionar os serviços de proteção à criança e esse ato dispara uma cadeia de eventos que vai colocar à prova cada vínculo do grupo. A narrativa se articula em múltiplas perspectivas, revelando camada por camada o que cada uma dessas mulheres esconde: medos que não ousam nomear, traições que fingem não ter sofrido, e os pensamentos que nenhuma mãe admite ter em voz alta. A série não está interessada apenas em revelar quem fez o quê, mas seu interesse real é expor o sistema de pressões sociais e emocionais que pode levar qualquer pessoa ao limite.

Pequenos Desastres é uma série que funciona melhor quando para de tentar ser um thriller elegante e se permite ser o que realmente é: um estudo psicológico incômodo sobre a maternidade, a amizade e as máscaras que as mulheres são obrigadas a usar para sobreviver às expectativas sociais. Ainda assim, nos melhores episódios, a série entrega o que promete: aquela perturbadora sensação de que a linha entre “boa mãe” e “mãe em colapso” é muito mais tênue do que qualquer um de nós gosta de admitir, com as surpresas envolvendo o espectador até o último episódio. E isso, por si só, já justifica as seis horas investidas.

Esta não é uma série de ação frenética ou reviravoltas a cada episódio. É uma obra que prefere o desconforto ao espetáculo e que confia que o espectador aguentará olhar de frente para coisas que normalmente ficam escondidas atrás de sorrisos e feeds de Instagram perfeitos. E nesse espaço, entre a aparência e a verdade, ela é, genuinamente, poderosa.

1trailer: filme The Tender Bar (Amazon Prime)

Ben Affleck, Tye Sheridan, Lily Rabe e Christopher Lloyd são dirigidos por George Clooney neste drama que promete muito, lançamento em dezembro deste ano.

1serie: Whitstable Pearl (Acorn TV)

Sinopse: a trama acompanha a dona de um restaurante Pearl Nolan (Kerry Godliman) (Godliman), que cria uma agência de detetives para desvendar a morte de um amigo.

Comentário: está série foi um ótimo achado, mas em alguns episódios você pode achar “eu já vi está história”. Mesmo assim, a série traz coisas legais em seis episódios: em cada episódio um caso é solucionado, sem pontas soltas e uma atração entre Pearl e Mike que demora para se desenrolar. Pearl estava na polícia ainda jovem, mas teve que sair quando engravidou. Desde então, ela se tornou proprietária de um restaurante de muito em Whitstable, mas não perdeu o desejo de fazer o trabalho de detetive. Então Pearl descobriu o corpo de um velho amigo preso na âncora de um barco, ela suspeita de um crime e começa sua investigação. Em seguida, um segundo corpo aparece e ela se encontra cercada pela escuridão de sua cidade e decide colocar em prática suas habilidades policiais mas o Detetive Mike McGuire (Howard Charles) não é muito adepto de como Pearl trabalha. O que ocorre nos seis episódios: drama e suspense se completam, prendendo o espectador do início ao fim. Se você não se prende à detalhes, preste muita atenção num molho de chaves que Pearl encontra, quando toca no assunto com a sua mãe e ela fica meio perturbada, mas no final tem um desenrolar bem interessante. 8

1série: PÁTRIA

Mais uma série fascinante da HBO: Pátria é a primeira série espanhola filmada pelo canal e originada do livro do mesmo nome do autor . O enredo acompanha duas famílias ao longo de décadas do conflito basco e dos ataques do grupo separatista ETA: Bittori (Elena Irureta) foi obrigada a deixar a vila em que cresceu após o marido, Txato (José Ramón Soroiz), ser assassinado na porta de casa pelo ETA. Na vila, permaneceram Miren (Ane Gabarain) – antiga amiga de Bittori que se radicalizou após o filho Joxe Mari (Jon Olivares) se filiar ao grupo –, seu marido, Joxian (Mikel Laskurain), e seus filhos Gorka (Loreto Mauleón) e Arantxa (Eneko Sagardoy). 

Os destinos das duas famílias se cruzarão novamente anos depois quando o grupo anuncia o fim da luta armada e Bittori decide retornar a Vila e esclarecer a morte do marido: quem realmente disparou contra ele? Joxe Mari é o principal suspeito, foi preso e cumpre pena na prisão, mas será que tem algo mais por trás. Bittori quer apenas a verdade.As duas ex-amigas precisarão encarar os erros do passado.

Elena Irureta e Eneko Sagardoy tem as melhores atuações, mas preste muita atenção na história e vida de Arantxa, comove e mostra que mesmo com limitações sempre há esperança para tudo.

É um retrato poderoso dos traumas de um país dividido pelo fanatismo. 9

(I) Era uma vez…

não me diga que meus sonhos não são reais.

Uma menina me ensinou, tudo que eu sei, realmente TUDO o que eu sei. Algumas vezes foi sem querer, mas mesmo assim com meus 23 anos descobri que não sabia nada da vida e menos ainda sobre o amor. E Monica, com 19 anos, sonharme mostrou como era a vida real, como
era bom viver intensamente e como, principalmente, era bom amar e sonhar. Me mostrou seus
planos e eu sempre me via ali, ao lado dela: em locais que eu não imaginava conhecer e em aventuras que eu não sonhava viver.

Numa pequena caderneta identificava: locais, horários e aventuras. Numa ordem cronológica minuciosamente escrita com informações até menos irrelevantes, tudo estava anotado ali, numa letra caprichosamente desenhada, afinal, Monica era a dona do seu próprio espaço e tempo. E assim, meus dias foram melhores: mais calorosos no inverno e mais claros mesmo nos dias cinzentos de tempestades.

Quando estávamos em casa e sentados no sofá da sala (um único e velho sofá, muito velho mesmo: de camurça marrom e todo desbotado, que só ficou melhor porque compramos algumas mantas numa das poucas viagens reais à cidade de Paraty e jogamos por cima para disfarçar o quanto aquele sofá era realmente velho), que era o único móvel que cabia no nosso minúsculo apartamento de 22 metros quadrados, com um simples afago na minha cabeça, já me descansava e ela, com toda simplicidade, começava a ler algo que tinha escrito, me fazendo viajar e sonhar.  

O certo é que, cada palavra escrita nos pequenos mas audaciosos relatos me fascinava e eu sempre me perguntava: como eu nunca tinha imaginado isso?
Nada era proibido.

Ninguém poderia me dizer o que eu não fiz?
Ou quem iria me dizer o que eu não podia fazer?
Eu queria viver e estar com Monica todos os dias, todas as horas, todos os segundos.

Mas a vida é cheia de surpresas, nos prega peças de uma hora para outra. Monica viveu intensamente desde os 17 anos, tentou se refugiar em sonhos e ilusões do que poderia e queria fazer nos próximos anos se sua vida fosse normal.
No calor de uma noite de amor e carinhos, do pequeno e bem desenhado nariz de Mônica surge uma gota de sangue, que quando percebo brinco que havíamos chegado no nosso ápice do amor. Rapidamente ela dá um pulo da cama e antes de chegar ao banheiro, cai lentamente no piso frio do nosso quarto. Corro para ampará-la e já não sinto seus batimentos cardíacos, apesar de todo seu corpo estar ainda quente. Me desespero e ligo para a emergência, que rapidamente chega em nossa casa.
Enquanto sigo para o hospital na ambulância, chorando e soluçando sem parar, sinto a mão de Mônica deslizando por entre os meus dedos: o ultimo sopro de vida se esvai.

Abalado abro a pequena caderneta, tentando me agarrar em suas palavras sempre alegres que poderiam me servir de consolo numa hora tão triste, meu mundo ruiu a poucos minutos atrás: eu estava desolado, cansado e perdido.
E na última página uma única frase começava a ser escrita, talvez, para uma última estória que ainda deveria ser desenvolvida e contada.

“Ao Meu Grande e Único Amor, vamos viver, amar e sonhar… “

1filme: Nocaute (Southpaw)

Um filme emocionante de um diretor brilhante: Antoine Fuqua.

NocauteEu não gosto muito de filmes de boxe, pois tudo remete a Rocky que é um clássico. E o último que eu havia assistido foi Menina de Ouro, essencial numa lista dos melhores do esporte, passando por Touro Indomável. A história do espetacular lutador de boxe Billy “The Great” Hope (Jake Gyllenhaal) que vai do auge à falência em poucos meses: a esposa é morta num evento beneficente (Rachel McAdams pouco tempo em cena, mas mesmo assim abrilhanta o filme), o dinheiro acaba bem como os “amigos” e a perda da guarda da filha que vai parar num centro social até que Billy tenha condições de criá-la. O filme é centrado na luta de Billy em encontrar um novo caminho para sua vida, longe da raiva que sente em seu coração pela perda da esposa, e na recuperação da guarda de sua filha.
Antoine Fuqua tira o melhor de Jake Gyllenhaal numa atuação surpreendente, e com Forest Whitaker (Tinus Willis, o novo treinador de Billy) e Oona Laurence (Leila, a filha de Billy) os resultados são impecáveis. 


As três atuações demonstram porque o filme é tão emocionante e imperdível.