(I) Era uma vez…

não me diga que meus sonhos não são reais.

Uma menina me ensinou, tudo que eu sei, realmente TUDO o que eu sei. Algumas vezes foi sem querer, mas mesmo assim com meus 23 anos descobri que não sabia nada da vida e menos ainda sobre o amor. E Monica, com 19 anos, sonharme mostrou como era a vida real, como
era bom viver intensamente e como, principalmente, era bom amar e sonhar. Me mostrou seus
planos e eu sempre me via ali, ao lado dela: em locais que eu não imaginava conhecer e em aventuras que eu não sonhava viver.

Numa pequena caderneta identificava: locais, horários e aventuras. Numa ordem cronológica minuciosamente escrita com informações até menos irrelevantes, tudo estava anotado ali, numa letra caprichosamente desenhada, afinal, Monica era a dona do seu próprio espaço e tempo. E assim, meus dias foram melhores: mais calorosos no inverno e mais claros mesmo nos dias cinzentos de tempestades.

Quando estávamos em casa e sentados no sofá da sala (um único e velho sofá, muito velho mesmo: de camurça marrom e todo desbotado, que só ficou melhor porque compramos algumas mantas numa das poucas viagens reais à cidade de Paraty e jogamos por cima para disfarçar o quanto aquele sofá era realmente velho), que era o único móvel que cabia no nosso minúsculo apartamento de 22 metros quadrados, com um simples afago na minha cabeça, já me descansava e ela, com toda simplicidade, começava a ler algo que tinha escrito, me fazendo viajar e sonhar.  

O certo é que, cada palavra escrita nos pequenos mas audaciosos relatos me fascinava e eu sempre me perguntava: como eu nunca tinha imaginado isso?
Nada era proibido.

Ninguém poderia me dizer o que eu não fiz?
Ou quem iria me dizer o que eu não podia fazer?
Eu queria viver e estar com Monica todos os dias, todas as horas, todos os segundos.

Mas a vida é cheia de surpresas, nos prega peças de uma hora para outra. Monica viveu intensamente desde os 17 anos, tentou se refugiar em sonhos e ilusões do que poderia e queria fazer nos próximos anos se sua vida fosse normal.
No calor de uma noite de amor e carinhos, do pequeno e bem desenhado nariz de Mônica surge uma gota de sangue, que quando percebo brinco que havíamos chegado no nosso ápice do amor. Rapidamente ela dá um pulo da cama e antes de chegar ao banheiro, cai lentamente no piso frio do nosso quarto. Corro para ampará-la e já não sinto seus batimentos cardíacos, apesar de todo seu corpo estar ainda quente. Me desespero e ligo para a emergência, que rapidamente chega em nossa casa.
Enquanto sigo para o hospital na ambulância, chorando e soluçando sem parar, sinto a mão de Mônica deslizando por entre os meus dedos: o ultimo sopro de vida se esvai.

Abalado abro a pequena caderneta, tentando me agarrar em suas palavras sempre alegres que poderiam me servir de consolo numa hora tão triste, meu mundo ruiu a poucos minutos atrás: eu estava desolado, cansado e perdido.
E na última página uma única frase começava a ser escrita, talvez, para uma última estória que ainda deveria ser desenvolvida e contada.

“Ao Meu Grande e Único Amor, vamos viver, amar e sonhar… “

Sobre Severo

GREMISTA FANÁTICO... com preferências simples e/ou complicadas: comidas, músicas, filmes, viagens, escrever sobre curiosidades do dia-a-dia...
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