1cd: Måneskin – Teatro D’ira Vol. I

A pandemia trouxe um pouco mais do tempo no meu dia-a-dia e comecei a ouvir rock de outros países, alguns parece até estranho como o cd da banda Suíça Gölä und Trauffer, mas o foco aqui é a banda italiana Måneskin e o ótimo cd Teatro D’ira Vol. I. Eu cravo que este é um dos melhores álbuns do ano e uma grata surpresa: a banda entrega um álbum com melodias atraentes e sons diferentes, entre inglês e italiano, o que torna fácil gostar deles.

A banda é de Roma, conta com o vocalista Damiano David, a baixista Victoria De Angelis, guitarra de Thomas Raggi e o baterista Ethan Torchio, e foi com esse rock descompromissado e sem medo que foram alçados ao sucesso, especialmente neste novo álbum. A primeira faixa, em italiano, “Zitti E Buoni” é hit certeiro e com guitarras e bateria na medida certa e refrão gostoso: “Estou fora de mim, mas sou diferente deles / E você está fora de si, mas é diferente deles / Estamos loucos, mas somos diferentes deles”. Também são legais e merecem destaque: “In Nome del Padre” é pesada e provoca no refrão “Ah, ah, ah, ei / Nome do pai, do filho, Espírito Santo”. “Beggin” é ótima cover da banda The Four Seasons. Em “Lividi Sui Gomito” Damiano canta “Coragem não nos falta / Somos destemidos” belo recado. E “La Paura Del Buio” menos pesada e mais pop. Assim como a melhor do álbum “I Wanna Be Your Slave”, controversa por causa do vídeo clipe, insana e necessária.

Um ótimo álbum de rock, mesmo que alguns possam chamar de rock spaghetti ou até mesmo de pop. 9

AmúsicaPOP: que EU AMO ODIAR – Georgia Castro

#2 Georgia Castro – Você é Arte

Além de bela, a voz e presença da moça impressionam e a balada “Você é Arte” é linda.

1álbum: AWOLNATION – Angel Miners & The Lightning Riders

AWOLNATION, é uma banda de rock alternativo que surgiu em Los Angeles, na ensolarada Califórnia (EUA), em 2010. E em 2011 já lançava o álbum Megalithic Symphony, onde tinha o petardo “Sail”. Mas não é uma banda fácil de entender: em alguns momentos transitando pelo pop, rock mais pesado com guitarras cruas com pitadas de eletrônico. O próximo álbum foi Run, em 2015, e continuou na mesma pegada, com músicas como “Run”, “Fat Race”, “Woman, Woman” e a balada “I Am”. Em 2018 chegou Here Come the Runts, como músicas como: “My Molasses”, “Handyman” (a versão acústica ficou bem bacana) e a melhor “Table for One” (prefira a versão com Elohim, ficou excelente). Em 2019 a banda lançou o single “Drive”, regravação da banda The Cars.

Chegamos em 2020 e o lançamento do novo álbum Angel Miners & The Lightning Riders. É o mais do mesmo, seguindo o mesmo padrão do som dos caras, mas mesmo assim tem bons momentos e músicas com sonoridades diversas: o peso aparece em “Mayday!!! Fiesta Fever” e “Battered, Black & Blue (Hole in my Heart)”, a explosão incontrolável de “I’m A Wreck”que começa lenta e termina pesada e momentos eletrônicos em “California Halo Blue”. Mas as melhores músicas ficam com o lado mais pop da banda: “Radical”, “The Best” (Eu quero andar um pouco mais alto / Eu quero me sentir um pouco mais forte / Eu quero pensar um pouco mais inteligente / E dizer, eu só quero ser o melhor ) e a melhor é “Pacific Coast Hignway in the Movies” com participação de Rivers Cuomo (Wezzer).

O quarto bem da banda (Aaron Bruno é o cara por trás de tudo) não mostra uma grande evolução, mas entrega um álbum consistente e boas músicas.
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1disco: FASTBALL – The Help Machine

Fastball - The Help MachinePara quem conhece, ou conhecia, a banda Fastball apenas pelo hit “The Way” é bom saber que a banda vai além disso. É lógico que eles ficaram marcados pelo álbum All the Pain Money Can Buy, de onde saiu o maior hit da banda e também músicas como “Out of My Head” e “Sweetwater, Texas”.  A banda deu uma parada em 2009 e retornou em 2017 com o ótimo Step Into Light (escute músicas como “Best Friend”, “I Will Never Let You Down”, “We’re on Our Way” e Secret Agent Love”).
Dito isso chegamos ao novo album, The Help Machine, onde a banda explora novos sons e deixa claro que é uma volta definitiva.
Os destaques do album: “Doesn’t It Make You Feel Small” cativa também pelo peso das guitarras: “Quando você anda em círculo e canta sua música / Você pensou que precisava de respostas, mas as conhecia o tempo todo’. “White Collar” é o que você vai ouvir mais próximo do antigo Fastaball. “Holding the Devil’s Hand”, apesar do título, tem um clima soturno e uma levada pop até o talo que agrada já na primeira vez que ouvir. Outro ponto bom do album a divertida e rapidinha “The Girl You Pretended to Be” onde rola um mistério e ele suplica: “Tudo o que estou pedindo de você / Você poderia se transformar em / A garota que você fingiu ser?”. E “Redeemed” com pegada blues é uma das melhores novidades da nova fase da banda.

Mas as duas melhores, no meu entendimento, realmente são: a faixa que dá nome ao álbum “The Help Machine” balada pop poderosa: “Qual é o seu nome? / Ninguém consegue viver para sempre / E estou aguardando a fila para a Máquina de Ajuda”. E a faixa de abertura “Friend or Foe” um pop delicioso de ouvir e com refrão pegajoso: But you and I will never know / Which way the wind is gonna blow (Mas você e eu nunca saberemos / Para que lado o vento vai soprar).
Com tantos lançamentos de bandas antigas, Fastball se reinventa e promete seguir firme e forte nas paradas.

 

1clipe: Coldplay- Orphans

E o Coldplay retornou em grande estilo: o novo álbum se chama Everyday Life e será lançado ainda em novembro. Mas já estão rolando três faixas bem promissoras: “Everyday Life”, “Orphans” (com clipe lançado) e “Arabesque”. Mas pode este novo álbum ser o melhor álbum da banda? COM CERTEZA. Escute as faixas lançadas e tire suas conclusões:
“Orphans” é pop rock até o talo, com uh uhs e refrão pegajoso: “ I wanna know when I can go / Back and get drunk with my friends” (Eu quero saber quando eu posso / Voltar e ficar bêbada com meus amigos). A letra conta a história de Rosaleen que morreu cedo por conta de uma chuva de mísseis na sua cidade, mas que parece estar no purgatório e suplicando para voltar e viver ainda mais intensamente a vida com seu pai e amigos. Apesar da letra triste a música é acelerada e já com clipe lançado promete estourar facilmente nas paradas mundiais.
“Everyday Life” é uma balada grandioso ao melhor estilo da banda, piano e violão ditam o ritmo de uma letra que questiona como o mundo está e se nós seremos o futuro ou apenas um ponto na história: “Como no mundo eu vou ver? / Você como meu irmão / Não é meu inimigo?”
“Arabesque” tem versos em francês e é levada com instrumentais de Femi Kuti e sua banda. Não é a obra prima, mas a levada é bem legal e mostra toda a versatilidade do Coldplay.

E o primeiro clipe para curtir é a excelente “Orphans”, começaram muito bem.

 
 

1disco: Humberto Gessinger – Não Vejo a Hora

Depois do bom lançamento do Barão Vermelho, enfim chegou o novo álbum do Humberto Gessinger: Não Vejo a Hora. E olhando o que foi lançado até agora, os melhores albuns nacionais do ano são de bandas e/ou artistas que detonaram nos anos 80: Barão Vermelho (VIVA), Nando Reis (Não sou Nenhum Roberto, Mas as Vezes Chego Perto) e Biquini Cavadão (Ilustre Guerreiro). Mas falando do álbum em questão: o eterno líder e voz dos Engenheiros do Havaii retorna numa ótima performance e com ecos da antiga banda. De cara basta ouvir a primeira faixa “Partiu”, que lembra Ïnfinita Highway”, ou seja, começa muito bem. “Um Dia da Cada Vez” é um pop/rock da melhor fase dos Engenheiros. A primeira balada folk acústica, com violões e acordeons é “Bem a Fim” e com o refrão bacana (A Highway to Hell faz a curva e vai pro céu / Quando a resposta vem, do outro lado, alguém / Dizendo que está tudo bem) coloca a música como uma das melhores do álbum. “Calmo em Estocolmo” é Engenheiros do Havaii até o talo. “Estranho Fetiche” tem a letra mais legal, com referência à Raul Seixas e é bem divertida. E “Missão” pra mim a melhor do álbum, começa lentamente e fica mais rápida e vai oscilando desta maneira até o final.
Enfim, mais um grande lançamento de uma das melhores bandas brasileiras de rock dos anos 80.
Para ver como o rock não morreu mas o atual cenário e bandas surgidas não tem o mesmo peso nem o mesmo valor.

1álbum: Barão Vermelho – VIVA

O Barão Vermelho voltou e pode acreditar: rock, baladas e com muita energia, no novo álbum VIVA. A primeira fase da banda com Cazuza, foi inigualável: rock e baladas bem elaboradas e sucesso total. A segunda fase com Frejat no vocal, talvez não foi de tantos hits, mas o rock sempre esteve ali. Agora, uma das melhores bandas do rock brasileiro, retorna com Rodrigo Suricato nos vocais, rock e baladas com potenciais hits: “Jeito” cativa pela simplicidade (A Gente é o Que é Não Tem Jeito / A Gente é Como é, Cada um de um Jeito),  “A Solidão Te Engole Vivo” rock sobre a amizade (Pois ao lado dos amigos / Eu escapo de qualquer perigo / E se você deixar / A solidão te engole vivo), “Por Onde Eu For” é pop rock na veia e com refrão pegajoso (Ando evitando lugares pra não ter que te encontrar / Outras avenidas e bares agora vão me ver cambalear / … / Então eu vou, esquecer de tudo que passou / Secar minha cara sobre o sol / Vou, viver tudo o que posso / Os amigos que eu gosto vou levar / Comigo em qualquer lugar, por onde eu for), a romântica “Castelos” e a baladaça “Um Dia Igual ao Outro”. O álbum acaba com “Pra Não Te Perder”, canção com levada folk aos violões e parcipação da cantora Letrux.
É um dos melhores álbuns do rock brasileiro de 2019.

don’t stop the Music: “When the Stars Go Blue”

Ryan_Adams_GoldSe tem algo que chama a atenção é aquela música que você gosta e que é regravada e fica perfeita, mas também tem o lado inverso e você fala: – Que bosta, estragaram a música de tal banda. Alguns falam em regravação, dar uma nova roupagem a música, outras falam que vão “desconstruir” tal música. Mas o certo é que algumas versões ficam melhor do que a original e é este o caso aqui.
Ryan Adams gravou o álbum GOLD em 2001 e com seu country rock chegou ao grande público através de músicas como: “New York, New York”, “The Rescue Blues”, “Answering Bell”, “Gonna Make You Love Me”,  “Touch, Feel & Lose” e “When the Stars Go Blue” e é essa daladaça o meu destaque. A gravação acústica com voz e violão é o ponto alto do álbum. Também foi gravada pelo cantor country Tim McGraw e ficou bem legal.

Mas a melhor versão foi eternizada per Bono & The Coors: ficou incrível e perfeita.  

1cd: Paulo Miklos – A Gente Mora no Agora

O eterno titã Paulo Miklos lançou o ótimo álbum A Gente Mora no Agora, ótimo porque gostei de nove das treze faixas, algo difícil de acontecer no atual cenário do rock nacional. Algumas músicas em que Miklos se aventura pelo samba, não me chamaram atenção, em compensação outras ele acertou a mão em cheio. “Deixa de Ser Alguém”, em parceria com Arnaldo Antunes, é estranha com seu ritmo carnavalesco mas anima qualquer um. “Todo Grande Amor” é uma parceira com Silva, com refrão fácil tem tudo pra se tornar um hit radiofônico. “Risco Azul”, com Céu e Pupillo, é marcado por piano e Paulo Miklosbatidas em cima de uma letra bem construída. A balada pop composta por Guilherme Arantes, “Estou Pronto” é uma declaração de amor impecável e perfeita: “Estou vivo, estou pronto / Estou amando de novo / O meu destino é ser feliz / Começo cada dia a teu lado te amando mais”. “Afeto Manifesto” é um baião lento, composta por Lurdez da Luz e fica perfeita na voz de Miklos. Enquanto que “Princípio Ativo” balada com a cantora Céu é levada num dedilhado de violão, doce e singela. E o disco fecha com mais uma bela parceria com Tim Bernardes, “Eu Vou”: “Não vou mais aturar  / Baixo astral na minha vida / Não vou mais carregar / O peso e a dor que não é minha”.

Mas ele se sai melhor no terreno que conhece bem e entrega as duas melhores faixas do álbum, pelo menos na minha opinião: em “Samba Bomba”, que não é samba, mas sim um baita rock em parceria com Tim Bernardes (guitarrista da banda O Terno) e na baladaça “Vou Te Encontrar”, em parceria com Nando Reis: “Nas ondas do mar / Nas pedras do rio / Nos raios de sol / Nas noites de frio / No céu no horizonte / No inverno e verão / Nas estrelas que formam uma constelação / Vou te Encontrar”.

1clássico: Talking Heads – Psycho Killer

TALKING HEADS ARCHIVE PHOTOTalking Heads foi fundada em 1974 em Nova York, EUA. Formada por David Byrne, Chris Frantz, Tina Weymouyh e Jerry Harrison, a banda fundiu rock, new wave e world music à ritmos africanos. Mas ganhou notoriedade em 1975 quando abriu um show do Ramones, no lendário CBGB’s Club. Além de vocalista e principal nome da banda, David Byrne foi produtor de diversos álbuns (inclusive de músicos brasileiros) e dirigiu o filme “True Stories“. A banda lançou oito álbuns e alguns hits: “This Must Be 

The Place (Naive Melody)”, “(Nothing But) Flowers”, “Wild Wild Life”, “Once in a Lifetime”, entre outras. Mas o máximo clássico da banda é “Psycho Killer”, com uma linha de baixa pulsante e o refrão pegajoso: “Psycho killer / Qu’est-ce que c’est / Fa, fa, fa, fa, fa, fa, fa, fa, fa, far better / Run, run, run, run, run, run, run away”.Talking_Heads_77
A música é sobre um serial killer e seus pensamentos: “Você começa uma conversa que nem pode terminar / Você está falando bastante mas você não está dizendo nada / Quando não tenho nada para dizer meus lábios ficam selados / Dizer uma coisa uma vez, por que dizê-la novamente?”

O clássico ainda hoje é relembrado por muitas bandas: ganhou versão com peso de bandas como Velvet Revolver e One Bad Son, som eletrônico com Black Migthy Wax ou balada com Bruce Lash, mas eu acho que as duas melhores versões: é pop rock do PHISH e a balada arrastada de ZED, duas ótimas regravações.