Depois de muito tempo inativa, a ótima banda paulistana Pullovers voltou com tudo este ano e largou dois singles inéditos: “Não se Mate” e “Antideprê”. Em comum, ambas as faixas trazem reflexões pós pandemia sobre as inquietações diárias do ser humano e os reflexos na nossa saúde mental. Em “Não se Mate” a banda vai fundo na ferida: “Por engano, apontei pras estrelas / Mirei no céu da boca / Buraco negro, enfim / Mas no fim, veio um anjo / Segurou o meu berro / Disse: “Você é um erro” / Dá o berro pra mim, disse assim”.
E se não bastante, com o perdão do trocadilho, um refrão matador: “Não se mate / Por favor, não se mate / Que morrer é da vida / Segue errando assim, erra sim”
Se você não conhece a banda procure o melhor álbum “Tudo Que Eu Sempre Sonhei” (2009) , onde contem as pérolas “O Amor Verdadeiro Não Tem Vista Para o Mar” e “Todas as Canções São de Amor”, você não vai se arrepender.
Álbum: Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets/ Ano Lançamento: 1972 / País: Brasil
Sobre a banda Os Mutantes (wikipedia): é uma banda brasileirade rock psicodélico formada durante o Movimento Tropicalista no ano de 1966, em São Paulo, por Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias. Também participaram do grupo Liminha e Dinho Leme e é considerada um dos principais grupos do rock brasileiro de todos os tempos. 🎸
A música “Balada do Louco” (lançada em 1972) da banda brasileira Os Mutantes é um clássico do rock nacional que está presente no álbum “Mutantes e seus Cometas no País do Baurets” e apresenta uma combinação de psicodelia, rock e elementos folclóricos, a música cativa os ouvintes com suas letras poéticas e atmosfera envolvente. No entanto, alguns podem argumentar que a produção musical é datada, refletindo a época em que foi lançada. Apesar disso, seu legado e influência na cena musical brasileira continuam inegáveis, tornando-a uma peça essencial para quem aprecia a riqueza da música brasileira.No entanto, mesmo reconhecendo suas qualidades, a falta de linearidade da música é algo que chama atenção, visto que a canção não segue uma estrutura musical convencional, com uma introdução, refrão e verso definidos e isso pode dificultar a assimilação da letra.
Além disso, a escolha de linguagem metafórica na canção pode tornar seu significado ambíguo e difícil de ser compreendido numa primeira audição. Embora letras enigmáticas possam ser interessantes para alguns ouvintes, elas também podem afastar aqueles que buscam uma conexão mais direta e imediata com a música. “Dizem que sou louco por pensar assim / Se eu sou muito louco por eu ser feliz / Mas louco é quem me diz / E não é feliz, não é feliz”.
Outro ponto a ser considerado é que, apesar de trazer elementos inovadores para o cenário do rock brasileiro da época, a sonoridade da música pode parecer datada para os ouvintes contemporâneos. No entanto, é importante reconhecer o impacto cultural e inovação que a banda trouxe nesta música e foi um marco importante na cena musical brasileira, influenciando muitos outros artistas. Com tudo isso, a música ainda é digna de apreciação e reconhecimento pela sua originalidade e virou um clássico do rock nacional. “Eu juro que é melhor / Não ser o normal / Se eu posso pensar que Deus sou eu / Sim sou muito louco, não vou me curar / Já não sou o único que encontrou a paz”.
Ney Matogrosso, Rita Lee, Tianastacia e até KLB regravaram a música, mas a versão que mais me encanta é da banda pesada Manuche, confere aí como um clássico ainda pode ser “desconstruído” sem perder a magia. Sobre a bandaManuche:fundada em março de 2012 por Tom Gil e Feeu Moucachen faz um blues rock nacional. Ambos atuantes na cena musical de São Paulo com projetos independentes desde o inicio dos anos 2000, resolveram unir forças para produzir um som autoral autêntico que traz desde influências do blues elétrico das décadas de 50 e 60 ao tradicional rock’n’roll ainda entoado pelos Rolling Stones e AC/DC.
Manuche “destrói” clássico da banda Os Mutantes e cria a melhor versão da música “Balada do Louco”
Uma das boas bandas de rock alternativo do cenário indie é o Elbow. Na estrada desde 1991 a banda britânica é comandada pelo vocalista Guy Garvey e os demais integrantes Mark Potter, Craig Potter, Richard Jupp e Pete Turner lançaram 9 álbuns de estúdio. O último, Flying Dream 1, foi lançado este ano e já traz o hit “Six Words”.
Músicas como “One Day Like This”, “Red”, “About Time”, “Leaders of the Free World” e “The Bones of You” mostram o quanto a banda é legal. Claro que nem todo mundo concorda, pois a banda faz um rock indie mais meloso e lento na poderosa voz de seu vocalista, Guy Garvey. Quem não conhece é uma boa pedida e quem já curte vai gostar do novo álbum.
É difícil falar da banda R.E.M. (Rapid Eye Movement) liderada por Michael Stipe e seus comparsas Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry, pois é uma das bandas que eu mais gosto, desde o tempo de “Radio Free Europe”. Conforme os anos passaram, a banda ficou cada vez melhor, emplacaram hits atrás de hits com facilidade e ganharam o mundo: “Driver 8”, “The One I Love”, “It’s the End of the World as We Know It (and I Feel Fine)”, “Pop Song 89”, “Losing My Religion”, “Shiny Happy People”, “Drive”, “Man on the Moon”, “Bang and Blame”, “Lotus”, “Daysleeper”, “Imitation Life” ou “Bad Day”, entre outras.
Mas o meu clássico é “Everybody Hurts” (“Todo Mundo se Machuca“) e por uma justificativa muito simples: além de ter uma letra “pesada” também é extremamente reconfortante. Michael Stipe canta: “Não desista de si mesmo / Pois todo mundo chora / E todo mundo se machuca, às vezes”… “Pois todo mundo se machuca / Consiga conforto em seus amigos / Todo mundo se machuca / Mas não se entregue”.
Free foi uma banda de hard rock britânica formada em 1968, em Londres, por Paul Kossof (guitarra), Paul Rodgers (vocais), Simon Kirk e Andy Fraser (baixo). O sucesso veio a partir do álbum Fire & Water (1970) e emplacou vários hits na carreira, como: “I’m a Mover”, “Come Together in the Morning”, “My Brother Jake”, “Soon I Will be Gone”, “Get Where I Belong”, “Oh I Wept”, mas o meu clássico é “All Right Now”.
Não escolhi essa música por ser o maior sucesso da banda, mas simplesmente porque é a que eu mais escuto deles: “Lá estava ela na rua / Sorrindo da cabeça aos pés / Eu disse: Ei, o que é isto? / Agora talvez, querida / Talvez ela precise de um beijo / Eu disse: Ei, qual seu nome? / Talvez tenhamos algo em comum”.
Aumente o volume e curta ao máximo o som do Free, uma das grandes bandas de hard rock mundial.
Quando falávamos em rock, tínhamos músicas como essa e a irreverência no palco de um grande ícone: Iggy Pop.
Talvez incompreendido por alguns mas idolatrado por muitos, ele fez história desde os tempos da banda The Stooges, fundada em 1968 no estado do Michigan (EUA), que ficou ativa até 1975. Também fez uma grande e poderosa parceria com David Bowie. Em todo a carreira foram muitas grandes músicas, entre elas: “I Wanna be Your Dog”, “Kill City”, “Lust for Life”, “The Passenger”, “China Girl”, “I Need More”, “Bang Bang”, “Repo Man” e “Candy”,mas o meu clássico é“Real Wild Child (Wild One)”.
“Eu sou realmente um selvagem / E eu gosto de uma diversão selvagem / Num mundo que ficou louco / Tudo parece tão confuso”.
Iggy Pop é um ser estranho, não genial, talvez excêntrico mas muito talentoso.
E saiu o novo clipe da banda O Teatro Mágico da música “Almaflor”: “Ô ô ô / Ô ô ô / Ô ô ô / Quando isso tudo passar por nós / Não tenha medo de nada / Seremos porto seguro / E tudo que tarda não falha / Quando isso tudo passar por nós / Trazendo silêncio e cilada / Pequenos lugares escuros no decorrer da jornada / Ô ô ô”. E o novo álbum promete muito.
A banda britânica The Cure tem uma carreira de altos e baixos, apesar de ser uma grande banda do rock mundial é ainda definida como alternativa e gótica. Liderada por Robert Smith (vocal), passando por várias formações mas a última conta ainda com Roger O’Donnell (tecladista), Jason Cooper (baterista) e Reeves Gabrels (guitarrista). A banda emplacou vários hits como: “Boys Don’t Cry”, “A Forest”, “Let’s Go to Bed”, “The Walk”, “The Lovecats”, “Close to Me”, “Lullaby”, “Lovesong”, “Friday I’m in Love”, “Pictures of You”, entre outros.
O meu clássico da banda é “In Between Days” (Dias Intermináveis), desilusão amorosa e dançante, marca um dos melhores momentos da banda: “Ontem fiquei tão velho / Eu senti que poderia morrer / Ontem fiquei tão velho / Me deu vontade de chorar” e depois “Ontem eu fiquei com tanto medo / Eu estremeci como uma criança / Ontem longe de você / Isso me congelou por dentro”. Mas o refrão chuta o balde e manda tudo para o espaço: “Prossiga, prossiga / Apenas vá embora / Prossiga, prossiga / Sua escolha está feita / Prossiga, prossiga / E desapareça / Prossiga, prossiga / Para longe daqui”.
The Cure é para aqueles dias escuros, mas com uma pitada de luz de sol radiando.
W.E.T. é uma banda que eu não ouvia muito, bem sincero QUASE NADA (mas sempre gostei de “One Love”), mas com o álbum Retransmission o hard rock não sai mais da minha playlist e a faixa “Big Boys Don´t Cry” é uma das melhores. Aproveita que o som é bom demais.