1dica: 🎬 série “Memória de um Assassino”, um thriller que transforma memória em arma e em fraqueza

Título Original: “Memory of a Killer”
Elenco principal: Patrick Dempsey, Richard Harmon, Odeya Rush, Peter Gadiot, Michael Imperioli
Criador: Tracey Malone
Streaming: Prime Vídeo
Episódios: 10
⭐️⭐️⭐️⭐️
SINOPSE: Angelo (Patrick Dempsey) vive uma vida dupla como assassino e pai de família, que funcionou bem até que ele sofreu de início precoce da doença de Alzheimer. Agora seus mundos colidem, colocando sua família em perigo.

A trama acompanha Angelo Ledda (Patrick Dempsey), um assassino de aluguel experiente que sempre executou seus trabalhos com precisão cirúrgica. Mas algo começa a dar errado: Angelo passa a sofrer lapsos de memória progressivos, semelhantes aos sintomas de Alzheimer. Pequenos esquecimentos evoluem para falhas críticas, como nomes, rostos, instruções e tudo começa a escapar. E então surge o verdadeiro conflito: Como confiar em si mesmo quando sua mente está falhando? Como distinguir missão de paranoia? E mais perigoso: ele ainda controla o jogo ou virou uma peça? A série constrói tensão ao transformar cada decisão em risco e não apenas para os outros, mas para o próprio protagonista.

O grande pilar da série é, sem dúvida, Patrick Dempsey conhecido por papéis mais acessíveis e carismáticos, aqui ele entrega uma performance densa, contida e surpreendentemente sombria. Aqui sua atuação transita com precisão entre a paranoia crescente de quem não confia mais na própria memória ou a frieza calculista do assassino ou a fragilidade de um homem em deterioração.

O gatilho dramático surge quando um assassino tenta atirar em sua filha Maria (Odeya Rush) grávida num restaurante e ele percebe que sua mente está começando a misturar os mundos que ele sempre manteve separados. Ele conhece muito bem o fim dessa história: seu irmão mais velho, Michael (Richard Clarkin), já está consumido pela mesma doença, vivendo num lar de idosos onde não reconhece mais ninguém. O relógio começa a correr e não apenas contra os inimigos que querem eliminá-lo, mas contra a própria deterioração de quem ele é. E essa história é contada em dez episódios que evoluem num ritmo calculado: os primeiros episódios estabelecem a rotina e o equilíbrio precário de Angelo, enquanto os episódios centrais mergulham nos flashbacks que revelam as escolhas que moldaram esse homem, incluindo por que ele se tornou assassino, o que aconteceu com a mãe de sua filha, a decisão que mudou sua vida cinco anos antes e a proteção dos companheiros Joe (Richard Harmon) e Dutch (Michael Imperioli) com muita importância nesta temporada. Neste trajeto encontra a agente especial Linda Grant (Gina Torres), que apresenta a parte mais impactante da vida de Angelo e pretende resolver toda a questão, custe o que custar. E abre questão para outra descoberta: quem é “o Barqueiro“? Esse misterioso matador começa a cruzar o caminho de Angelo e a ameaça à sua família vai escalando até o confronto explosivo final.

1dica: 🎬 série “Scarpetta”, a médica forense que esperamos há 36 anos finalmente chegou, mas valeu a pena? 

Título Original: “Scarpetta”
Elenco principal: Nicole Kidman, Jamie Lee Curtis, Bobby Cannavale, Simon Baker, Rosy McEwen
Diretor(a): Elizabeth Sarnoff
Streaming: Paramount+
Episódios: 8
⭐️⭐️⭐️⭐️
SINOPSE: a brilhante patologista, Kay Scarpetta (Nicole Kidman), usa a tecnologia forense para solucionar crimes, enquanto vê sua vida particular desmoronar.

Protagonizada por Nicole Kidman como a Dra. Kay Scarpetta, a série se centra nesta brilhante e implacável médica forense determinada a ser a pessoa que dá voz às vítimas, desmascarar um assassino em série e provar que o caso ao qual dedicou 28 anos de sua vida não será sua ruína. A narrativa se divide em duas linhas temporais que se entrelaçam ao longo dos oito episódios: no presente, a renomada patologista forense Dra. Kay Scarpetta retorna ao cargo de Médica Legista-Chefe na Virgínia, onde investiga um assassinato perturbador com ecos sinistros de seu primeiro grande caso, décadas atrás. E no passado, é a segunda linha temporal ambientada 28 anos antes, com a jovem e ascendente Scarpetta — interpretada por Rosy McEwen — lutando em um ambiente machista para conquistar seu espaço na profissão. O ir e vir entre os dois tempos é permanente, e as investigações tendem a se conectar cada vez mais com o avanço dos episódios.

O caso central do presente envolve o corpo de uma mulher encontrado desmembrado próximo a trilhos de trem. O que parece ser um crime isolado começa a revelar conexões perturbadoras com um caso que marcou e quase destruiu a carreira de Scarpetta no passado. Enquanto investiga, ela precisa lidar com a relação tensa com a irmã Dorothy (Jamie Lee Curtis), a parceria com o ex-detetive Pete Marino (Bobby Cannavale), o casamento com o perfilador do FBI Benton Wesley (Simon Baker), e a sobrinha Lucy (Ariana DeBose), especialista em tecnologia.

Scarpetta é uma série que carrega o peso enorme de décadas de espera, e esse peso é tanto sua maior força quanto sua maior fraqueza. Nicole Kidman entrega uma performance digna do personagem icônico de Patricia Cornwell. A estrutura de dois tempos é criativa e oferece momentos genuinamente emocionantes, mas o mistério central é envolvente o suficiente para que você queira uma resposta urgente. Isso vai até a última cena e que pode surpreender muita gente. Definitivamente, esta é uma série que entregou o que prometeu.

O bom é que a segunda temporada já está confirmada, tendo muito espaço para crescimento e acertos de rota: o personagem merece isso, as atrizes merecem isso e os fãs, definitivamente, merecem isso.

1dica: 🎬 série “DELE/DELA”, começa como romance íntimo e termina como um retrato perturbador das relações modernas

Título Original: “HIS & HERS”
Elenco principal: Tessa Thompson, Jon Bernthal, Pablo Schreiber, Marin Ireland, Crystal Fox
Diretor(a): William Oldroyd
Streaming: NETFLIX
Episódios: 6
⭐️⭐️⭐️⭐️
SINOPSE: uma jornalista investiga um assassinato em sua cidade natal e entra em conflito com um detetive suspeito. Toda história tem dois lados e alguém está mentindo.

DELE/DELA” não é uma série feita para agradar ou confortar. Criada por William Oldroyd, conhecido por sua abordagem austera, psicológica e profundamente humana, a produção da Netflix se apresenta como um drama relacional que disseca, com bisturi fino, os limites entre amor, dependência, controle e identidade. Sem recorrer a escândalos artificiais, a série aposta em algo mais inquietante: o cotidiano, os silêncios e as concessões quase invisíveis que moldam um relacionamento. Desde os primeiros episódios, o espectador é convidado a observar, quase como um intruso, a intimidade de um casal aparentemente comum. Mas, pouco a pouco, fica claro que a história não é sobre “ele” ou “ela” isoladamente, mas sim sobre toda uma cidade.

A narrativa acompanha a trajetória de um casal em diferentes fases da relação: o encantamento inicial, a construção da vida em comum e o desgaste silencioso provocado por ambições, frustrações e papéis não verbalizados. A série se destaca por mostrar que conflitos profundos nem sempre surgem de eventos traumáticos, mas da repetição de pequenos gestos, decisões e omissões. William Oldroyd constrói a série com uma progressão emocional cuidadosa, onde cada episódio aprofunda o desequilíbrio entre os protagonistas e o roteiro evita julgamentos fáceis: não há vilões óbvios nem vítimas puras, mas o que existe é um jogo psicológico sutil, sustentado por diálogos contidos, enquadramentos claustrofóbicos e uma trilha sonora discreta, quase opressiva.

O trunfo da série está na atuação do elenco, enquanto Tessa Thompson interpreta Anna Andrews, Jon Bernthal como Jack Harper, Rebecca Rittenhouse como Lexy Jones tem atuações consistentes e seguras, Crystal Fox como Alice brilha com uma atuação impecável de uma mãe com demência mas com traços de lucidez. E brilha até o final.

DELE/DELA” é uma série que não entrega respostas prontas, mas provoca, desconforta e permanece na mente muito depois do último episódio. Mais do que contar uma história de amor e vingança a produção questiona quem somos quando abrimos mão de nós mesmos para caber na vida do outro.

1dica: 🎬 série “Pequenos Desastres”, o que acontece quando a mãe perfeita não é tão perfeita assim? 

Título Original: “Little Disasters”
Elenco principal: Diane Kruger, Jo Joyner, Shelley Conn, JJ Feild, Emily Taaffe, Patrick Baladi
Diretor(a): Ruth Fowler
Streaming: Prime Vídeo
Episódios: 6
⭐️⭐️⭐️
SINOPSE: um grupo de novas amigas mães é desfeito quando uma delas é acusada de ferir seu bebê, rompendo seus laços e quase destruindo suas famílias.

Quatro mulheres se conheceram numa aula de preparação para o parto há uma década. Desde então, compartilham a jornada da maternidade, cada uma a seu modo: Jess (Diane Kruger) é a mãe de três filhos que parece ter nascida para a função — organizada, carinhosa, irretocável; Liz (Jo Joyner) é pediatra de pronto-socorro que equilibra uma carreira exigente com a vida doméstica; Mel (Shelley Conn) guarda seus próprios segredos por trás de uma imagem pública invejável; e Charlotte (Emily Taaffe) luta para manter a fachada de família feliz enquanto sua vida particular desmorona.

Tudo muda quando Jess aparece no hospital em plena madrugada com sua filha caçula, Betsy, de dez meses, apresentando uma lesão que simplesmente não se encaixa na explicação oferecida. Liz, como médica, é obrigada a acionar os serviços de proteção à criança e esse ato dispara uma cadeia de eventos que vai colocar à prova cada vínculo do grupo. A narrativa se articula em múltiplas perspectivas, revelando camada por camada o que cada uma dessas mulheres esconde: medos que não ousam nomear, traições que fingem não ter sofrido, e os pensamentos que nenhuma mãe admite ter em voz alta. A série não está interessada apenas em revelar quem fez o quê, mas seu interesse real é expor o sistema de pressões sociais e emocionais que pode levar qualquer pessoa ao limite.

Pequenos Desastres é uma série que funciona melhor quando para de tentar ser um thriller elegante e se permite ser o que realmente é: um estudo psicológico incômodo sobre a maternidade, a amizade e as máscaras que as mulheres são obrigadas a usar para sobreviver às expectativas sociais. Ainda assim, nos melhores episódios, a série entrega o que promete: aquela perturbadora sensação de que a linha entre “boa mãe” e “mãe em colapso” é muito mais tênue do que qualquer um de nós gosta de admitir, com as surpresas envolvendo o espectador até o último episódio. E isso, por si só, já justifica as seis horas investidas.

Esta não é uma série de ação frenética ou reviravoltas a cada episódio. É uma obra que prefere o desconforto ao espetáculo e que confia que o espectador aguentará olhar de frente para coisas que normalmente ficam escondidas atrás de sorrisos e feeds de Instagram perfeitos. E nesse espaço, entre a aparência e a verdade, ela é, genuinamente, poderosa.

Crítica: filme “Os Provocadores” da AppleTV+ traz um grande elenco mas deixa a desejar

$ 32.480,00 é o valor que Rory (Matt Damon) precisa para pagar custos com advogados e voltar a ver seu filho, depois de ter passado um tempo na cadeia. Numa improvável parceira com Cobby (Casey Affleck), o assalto que parecia fácil ficou mais difícil quando tudo deu errado ou quase tudo. Eles não contavam que encontrariam o prefeito Miccelli (Ron Perlman) e seus simpatizantes em uma sala e eles resolvem roubar todos. Então tudo começa a mudar: com uma boa trama e perseguição.

A combinação de ação e humor por vezes não funciona, mesmo que a interação entre Matt Damon e Cassey Affleck seja ótima as piadas não encaixem, parecem fracas. O resto do grande elenco, Toby Jones, Ving Rhames, Alfred Molina e Michael Stuhlbarg são mal explorados e poderiam entregar mais. não desponta com

O filme oferece um bom entretenimento durante 100 minutos, mas depois pode tornar facilmente esquecível.

Crítica: 🎬 “Assassinato no Fim do Mundo” traz ótima trama e é empolgante

Título original: “A Murder at the End of the World”
Ano: 2023
Episódios: 7
País: EUA 
Direção: Brit Marling / Zal Batmanlij 
Canal: FX / hulu

Composto de 7 episódios a série é misteriosa, inteligente e aconchegante, sendo um ótimo suspense sobre a evolução da inteligência artificial.

Sabe aquela série que você “acha” que não vai dar em nada? Este é um ótimo exemplo que você se surpreende logo de cara, por conta de duas cenas nos minutos iniciais: a primeira cena, com Darby Hart (Emma Corrin), caminhando pela rua com seus fones de ouvidos e ouvindo “The End” da banda The Doors e a segundo, logo após uma discussão com seu namorado, os dois bravos no carro e toca “No More I Love You’s” de Annie Lennox… é o estopim para você se apaixonar pela série. Os personagens são bem construídos e sustentam a boa trama, levando o público a permanecer interessado e tentando descobrir o assassino até o final. Além das ótimas performances de Clive Owen, Alice Braga e Brit Marling, é realmente Emma Corrin o grande acerto e com atuação estupenda que eleva o nível da série. 

A trama segue Darby, uma detetive amadora que lançou seu primeiro livro. Darby e outras oito pessoas são convidadas pelo bilionário recluso Andy Ronson (Clive Owen) a participar de um retiro em um local remoto e deslumbrante na Islândia. Quando Bill/Fangs (Harris Dickinson), um dos outros convidados é encontrado morto, Darby deve usar todas as suas habilidades para provar que foi um assassinato contra uma onda de interesses conflitantes, antes que o assassino tire outra vida. Apesar de alguns episódios serem mais lentos ou arrastados, a trama tem muito mistério, suspense e ficção científica bem explorados, assim como a inteligência de Darby que parece a única determinada a resolver o mistério.

É uma série que vale a pena assistir com um mistério inteligente e envolvente que explora temas importantes e atuais. 8️⃣

Crítica: 🎞️ “Sede Assassina” tem boa trama com grande atuação de Shailene Woodley

Título original: “To Catch a Killer” 
Ano: 2023
País: Estados Unidos
Direção: Damián Szifron

A minha visão talvez seja diferente de muitos, mas me impressionei bastante com este filme, além de cativante por que mergulha profundamente na mente de um serial killer também entregando uma experiência intensa e envolvente, desafiando o espectador a refletir sobre a complexidade da mente humana e isso, muitas vezes, é assustador… e saboroso.

O suspense tem a trama centrada em uma investigação policial para descobrir quem é o assassino em massa que está aterrorizando a população de Baltimore. A polícia investiga este atirador de elite que mata sem deixar nenhum vestígio, liderado pelo investigador-chefe do FBI, Lammark (Ben Mendelsohn) que em determinado momento vê o potencial da policial Eleanor (Shailene Woodley) e a chama para se juntar a equipe. 🙂

Lammark, além da investigação, tem que lidar com a disputas internas de poder, uma disputa de egos entre autoridades, manipulando o caso para conseguir dinheiro e influência, usando a investigação como instrumento de propaganda. No meio disso tudo Eleanor demonstra ser uma agente antissocial e problemática, mesmo sendo uma das grandes esperanças da operação para resolver o caso. Graças a sua psique conturbada, ela pode ser a única capaz de entender mente do assassino.

A narrativa habilmente construída mantém os espectadores atentos, enquanto acompanhamos a investigação o número de vítimas aumenta, o assassino cria falsas pistas e amplia o estresse de todos os envolvidos.

A performance, tanto de Ben Mendelsohn quanto de Shailene Woodley são excelentes: enquanto Ben habilmente comanda a equipe e tenta ficar longe das confusões e holofotes da polícia, Shailene, vulnerável e parecendo sempre prestes a desabar, tem uma mente conturbada devido a seus traumas do passado e que podem colocar em risco a operação. 🤔

No geral é um bom suspense, bem-executado que entretém e desafia o público a refletir sobre a complexidade da mente humana e com boas reviravoltas. 8️⃣

Crítica: 🎬 “Silo” série é intrigante e complexa mas alerta sobre opressão e poder

Título original:  “SILO”
Ano: 2023
País: Estados Unidos
Direção: Graham Yost
Canal: Apple TV+

SILO talvez seja a série mais complexa que você vai assistir nos últimos anos e com certeza uma das melhores de 2023. Propondo uma crítica social em volta do poder que algumas pessoas ou governos possuem e as relações com a sociedade. Eu fiquei entusiasmado com a série e aguardo uma segunda temporada espetacular. 😊

Deixando claro: eu não li nenhum dos livros de Hugh Howey, que é a trilogia que inspirou a série: Silo (2014), Ordem (2015) e Legado (2016), portanto não tinha uma expectativa que a adaptação para a tv poderia sofrer grandes mudanças e eu acabar me frustrando, talvez por isso fez com que eu gostasse mais ainda da série e minha opinião é baseada apenas nisso, sem nenhuma comparação com os livros.

Mas graças an Apple TV+, com uma produção impecável, a primeira temporada chega impactante e com os principais mistérios esclarecidos: o que é o SILO e porque todos estão confinados ali? A história de um mundo pós-apocalíptico bastante assustador e que o planeta está tomado por um ar altamente tóxico e mortal nos da a sensação que o Silo é o lugar mais seguro do mundo. Alguns sobreviventes começam a discutir estes mistérios e também a hierarquia, o governo e até mesmo seus trabalhos e funções nesta sociedade bastante fechada e opressora. Mas, todos tem medo, pois uma das regras é não questionar, pois quem questiona tem como punição ser enviado para fora do Silo e sofrer as consequências. Pela visão através de um vidro, quem sai normalmente acaba morto, em poucos minutos. E é essa intensa história que podemos trazer para o dia a dia e questionar o que realmente estamos fazendo e como estamos nos posicionando neste mundo real e caótico.

Seguir as regras e não discutir: toda regra sempre pode ter uma exceção e eventualmente haverá discussões do que é melhor ou não, mas determinar que a única opção e seguir a regra é uma forma autoritária típica de governos comunistas. E isso faz com que algumas pessoas se revoltem e comecem a discutir as reais intenções dos governantes que está por detrás do Silo. Por isso só, a vivência no silo é assustadora e perigosa, com regras extremamente rígidas aplicadas com a justificativa de que é melhor não saber de tudo. Está sociedade também é tão brutal com divisões de classes sociais existindo de forma completamente desigual e regadas com mentiras. Essa distopia pode ser assustadora, mas aqui é uma realidade nua e crua. Neste ponto também vale ressaltar as ótimas atuações de Roberta Ferguson, Tim Robbins e Common. 👏

Para alguns, as idas/vindas, diálogos e a morosidade em evolução da série pode soar cansativo mas tudo é necessário para o entendimento final, essa “sensação” de morosidade vai até o EPISÓDIO 6, As Relíquias, que pra mim é o mais impactante, com uma descoberta surpreendente de Juliette mudando totalmente a expectativa que eu tinha da série. APROVEITE! 9️⃣

Crítica: 🎬 “Desculpas pelo Incômodo” mostra as amarguras da terceira idade de uma forma leve e divertida

Título original: “Sentimos las Molestias”
Ano: 2022/23
País: Espanha
Direção: Ben A. Williams
Canal: Movistar (HBO MAX)

As belezas da Espanha visto pelos olhos de dois amigos que entram na terceira idade com expectativas de continuar vivendo no passado, repassam suas vidas e os conflitos da grande amizade. São duas temporadas incríveis, cada uma com 6 episódios de no máximo 30 minutos muito divertidos, boas falas e dramas na medida certa. 👏

Rafael Müller (Antonio Resisnes), renomado maestro espanhol, e Rafael Jimenez (Miguel Rellán), ex-astro de rock decadente, são amigos de longa data, mas são as diferenças entre os dois que vão dando dimensão a essa história simples e sem grandes reviravoltas.

O enredo segue num ritmo suave, mesmo com um cotidiano normal para a terceira idade: Müller e Jimenez enfrentam juntos o descarte no meio profissional, pois novos talentos vão ocupando seus lugares. As situações familiares são mais ou menos complicadas, os problemas de saúde aparecem, assim como as tristezas e as alegrias se multiplicam. E isso tudo traz uma suavidade a série, com muita emoção mesmo quando Müller começa a ter encontros secretos com a filha de Jimenez.

Na primeira temporada, a série é centrada na separação de Müller, mostrando seu ego e o desprezo até por pessoas de outra classe social. Enquanto que Jimenez ainda sonha em fazer um grande show de despedida com seus hits e vive em discussão com uma construtora que está comprando o prédio onde ele reside. As situações dos amigos são, por muitas vezes, engraçadas mesmo quando não deveriam. 😂

Na segunda temporada, os amigos tem que admitir que chegaram a terceira idade e precisam viver como tal: Müller se envolve sexualmente com a filha de Jimenez, tem que fazer as pazes com seu filho, reconstruir sua casa que explodiu e acima de tudo assimilar que foi substituído como maestro na Orquestra de Madrid. Enquanto que Jimenez tem que aceitar a proposta de venda do apartamento, acertar uma pequena quantia sobre os direitos autorais de sua carreira, assimilar que Müller tem um caso com sua filha, mas acima de tudo realizar o tratamento de um câncer de próstata que está levando-o a depressão e a vontade de morrer.

Em duas temporadas, os amigos passam por bons e maus momentos mas apesar das discussões, e acima de tudo, sempre estarão juntos. Isso é demonstrado no final da segunda temporada: os dois amigos caminham pela rua, rindo e abraçados, simples assim.

Foi um grande achado e uma das melhores séries de 2023, que venha logo uma terceira temporada. 9️⃣

Crítica: 🎞️ “Elena Sabe”, drama argentino mostra a dura realidade de uma senhora com a doença de Parkinson e a dor pela perda da filha 

Título original: Elena Sabe 
Ano: 2023
País: Argentina
Direção: Anahí Berneri

As primeiras cenas, os cinco primeiros minutos do filme são desesperadores e demonstram de forma cruel o que se passa bem na frente de nossos olhos diariamente sem termos preocupação com o futuro e, para alguns, isso pode ser devastador. 

Por mais que a trama do filme pode parecer um pouco confusa, lenta e arrastada é necessária para contextualizar a real situação vivida pela protagonista Elena, numa grande atuação de Mercedes Morán. A batalha vivida por Elena é complexa e fica mais pesada ainda quando sua filha Rita (Érica Rivas) é encontrada morta em uma igreja, a mãe não se conforma. A autópsia apurada é de suicídio, mas Elena não acredita na hipótese apontada pela polícia e então inicia uma investigação por conta própria, mesmo tendo de conviver com a doença de Parkinson.

Elena sai em busca da sua verdade, em meio à progressiva piora da doença neurológica degenerativa, mas vai descobrir mais do que a causa da morte da filha, encontrando pistas que a levam a reflexões mais profundas sobre sua relação com a filha, bem como o passado difícil vivido pelas duas. Nesta relação conturbada do passado e os flashbacks da sua memória, muito prejudicada pela doença, Elena culpa uma colega de classe de Rita de tê-la motivada ao suicídio. Mas com o passar do tempo, Elena descobre que está errada e vira sua investigação para o Padre da igreja onde a filha foi encontrada. A verdade é dura e após uma longa caminhada, Elena encontra Isabel (Mey Scápola), antiga amiga de Rita, que esclarece todos os acontecimentos, inclusive a morte de Rita. Essa conversa, apesar de clara e direta vai causar uma terrível decepção em Elena.

Elena Sabe não é uma história de superação, mas uma incrível história de desespero e mostra qual o limite do ser humano, principalmente em situações que tem de assumir responsabilidades maiores do que se imagina. 9️⃣